Um dos principais responsáveis por Django Reinhardt ser reconhecido nos Estados Unidos como inovador da guitarra - ainda que alguns se apeguem a Charlie Christian como representante "legítimo" (leia-se, afroamericano) do estilo - foi o jovem Lester "Les Paul" Polfus, morto em agosto de 2009 por complicações de uma pneumonia.
Les Paul, que se tornaria famoso por inventar a guitarra elétrica de corpo sólida e posteriormente, a gravação multicanais, era provavelmente o fã número um do cigano entre os guitarristas dos EUA à época. Em entrevista ao programa Four, da BBC, ele falou enternecidamente sobre o impacto de Django em sua maneira de tocar. O vídeo foi postado no canal do também guitarrista Teddy Dupont no Youtube.
Abaixo, coloquei uma descrição do vídeo, com o texto em inglês.
LES PAUL (voz em off sobre imagem do quinteto tocando J'Attendrai):
I just couldn't get over him!
After i heard Art Tatum, something else happened. I heard Django Reinhardt.
When i heard him, i said, 'well, i might as well be selling shoes'.
Good old Django.
LES PAUL tira uma guitarra na capa do meio de uma fileira de guitarras e a coloca em cima da casa.
LES PAUL (voz em off):
Well, you say there's no two women alike, there's no two guitar cases alike, i'll tell you that for sure.
Tira da capa uma guitarra Selmer.
LES PAUL:
And this... it's just one of the great gifts i have here, and Django is just... was... a beautiful man.
LES PAUL (voz em off sobre imagem do quinteto tocando J'Attendrai):
He was the greatest guitarist in my mind. I'd do anything to play as great as he did.
GARY GIDDENS
Jazz Writer
I would say, more than any guitarist, it's Django that you ofter hear in Les Paul's mature style. The main things, the clarity of the style, the simplicity of the melodic lines.
LES PAUL pega um disco de Django, retira a poeira e o coloca para tocar na vitrola antiga:
LES PAUL (em off):
Way back when i was a kid, my mother would say to me, 'Lester, you don't know how good that sounds'. And i'd say, that's right, i don't know how good that sounds.
===============================
TRADUÇÃO
LES PAUL
Eu simplesmente não conseguia esquecê-lo!
Depois que eu ouvi Art Tatum, algo mais aconteceu. Eu ouvi Django Reinhardt.
Quando eu ou ouvi, eu disse: 'bem, eu poderia estar vendendo sapatos.'
Bom e velho Django.
Bem, dizem que não há duas mulheres iguais, não há duas capas de guitarra iguais, isso digo-lhes com certeza.
E isto... é simplesmente um dos maiores dádivas que tenho aqui, e Django é simplesmente... era... um homem maravilhoso.
Na minha cabeça, ele era o melhor guitarrista. Eu faria qualquer coisa para tocar tão bem quanto ele tocava.
GARY GIDDENS
Eu diria que, mais do que qualquer guitarrista, é Django que frequentemente se escuta no estilo maduro de Les Paul. As coisas principais, a clareza do estilo, a simplicidade das linhas melódicas.
LES PAUL
Quando eu era garoto, minha mãe costumava me dizer: "Lester, você não sabe o quanto isso soa bem". E eu dizia: "Está certo, eu não sei o quanto isso soa bem."
domingo, 24 de julho de 2011
Novo agradecimento
Interrompemos a programação do blog DJANGOLOGIA para um comunicado especial:
Eis que o blog chega a 17 seguidores, "singelo" aumento de 850%! em um ano. Agradeço novamente ao pessoal que tem visitado, lido os textos, comentado e sugerido assuntos, além dos músicos manouches que estão aos poucos ajudando a fazer o estilo ser conhecido pelo público. Agradeço mais ainda aos que se dispõe a colaborar para aprimorar cada vez mais a qualidade do material postado aqui, bem como os que o recomendam aos amigos e familiares.
Só para marcar o momento de nostalgia... Comecei o blog em 2008, após cinco anos divulgando o DJANGOLOGIA original em forma de site estático, cujo conteúdo não cheguei a completar da maneira como tinha imaginado, e que abandonei porque a pesquisa estava ainda no começo (apenas cinco anos) para tomar forma definitiva. E principalmente porque eu ainda não tinha muita ideia dos erros cometidos por Charles Delaunay, minha primeira fonte bibliográfica. O site foi levado ao ar em 2003 para marcar os 50 anos da morte de Django. O design é do publicitário Wendel Tavares.
Eis que o blog chega a 17 seguidores, "singelo" aumento de 850%! em um ano. Agradeço novamente ao pessoal que tem visitado, lido os textos, comentado e sugerido assuntos, além dos músicos manouches que estão aos poucos ajudando a fazer o estilo ser conhecido pelo público. Agradeço mais ainda aos que se dispõe a colaborar para aprimorar cada vez mais a qualidade do material postado aqui, bem como os que o recomendam aos amigos e familiares.
Só para marcar o momento de nostalgia... Comecei o blog em 2008, após cinco anos divulgando o DJANGOLOGIA original em forma de site estático, cujo conteúdo não cheguei a completar da maneira como tinha imaginado, e que abandonei porque a pesquisa estava ainda no começo (apenas cinco anos) para tomar forma definitiva. E principalmente porque eu ainda não tinha muita ideia dos erros cometidos por Charles Delaunay, minha primeira fonte bibliográfica. O site foi levado ao ar em 2003 para marcar os 50 anos da morte de Django. O design é do publicitário Wendel Tavares.
sábado, 16 de julho de 2011
Poucas & Boas e Louis Plessier (23 e 24 / julho - Londrina - PR)
O trio paranaense Poucas & Boas, do qual já falamos aqui, vai se apresentar no próximo sábado (23/7) e domingo (24/&) ao lado do guitarrista Louis Plessier, um manouche "de raiz", dono de um estilo bastante peculiar.
Plessier nasceu em Lyon, em 1944, poucos meses antes da libertação da França pelos Aliados, na Segunda Guerra Mundial. Começou a tocar guitarra aos 15 e apaixonou-se pelo jazz manouche. No começo da década de 1960, durante uma apresentação na Alsácia, conheceu a jovem Marie Weiss, sobrinha de Django Reinhardt. Os dois se casaram e mantiveram um relacionamento tristemente encerrado em 2000, com a morte de Marie.
Tio de outros dois manouches de renome, Biréli e Fisso Lagrène, Plessier – com quem tocou na cidade de Barr, na Alsácia – alcançou uma técnica com equilíbrio milimétrico entre a base e o solo. Transita entre um e outro sem esforço, realiza ambos simultaneamente, tudo sem perder o ritmo e o senso de melodia.
Há um ano, Plessier deixou a França para se instalar em Santos. A primeira visita ocorreu em novembro de 2002, quando ele conheceu um ótimo motivo para voltar, além da música: a atual mulher, Marilene. Em 2004, o guitarrista mostrou seu som em Fortaleza, e, em 2007, apresentou o espetáculo "Latcho Drom" no Sesc Santana. Em 2009, foi a vez do Sesc Santos ceder espaço para seu espetáculo "O Caminho do Jazz Manouche".Voltou ao palco do teatro do Sesc Santos no passado, com o show "Nas cordas do coração".
Infelizmente, há pouco para se ver dele no Youtube, por enquanto. Seu canal possui apenas um vídeo, postado em janeiro deste ano, de um improviso executado em apresentação na Pinacoteca Benedito Calixto, em Santos, em 2010.
Pelo que o líder do trio, Mauro Albert, adiantou ao DJANGOLOGIA, o repertório vai ficar mais em torno dos "standards manouches" e algumas composições menos conhecidas, mas bem representativas do estilo. E muito improviso, claro. Sem dúvida, vale conferir.
Serviço
Trio Poucas & Boas e Louis Plessier
Circo Funcart
Rua Senador Naves, 2380 – Jardim Petrópolis, Londrina, PR.
Ingressos R$ 30 (R$ 15 estudantes e professores de música, R$ 10 alunos do Festival de Música e Espectadores Funcart)
Informações: (41) 3342-2362
Canal de Louis Plessier no Youtube
http://www.youtube.com/user/LouisPlessier
Plessier nasceu em Lyon, em 1944, poucos meses antes da libertação da França pelos Aliados, na Segunda Guerra Mundial. Começou a tocar guitarra aos 15 e apaixonou-se pelo jazz manouche. No começo da década de 1960, durante uma apresentação na Alsácia, conheceu a jovem Marie Weiss, sobrinha de Django Reinhardt. Os dois se casaram e mantiveram um relacionamento tristemente encerrado em 2000, com a morte de Marie.
Tio de outros dois manouches de renome, Biréli e Fisso Lagrène, Plessier – com quem tocou na cidade de Barr, na Alsácia – alcançou uma técnica com equilíbrio milimétrico entre a base e o solo. Transita entre um e outro sem esforço, realiza ambos simultaneamente, tudo sem perder o ritmo e o senso de melodia.
Há um ano, Plessier deixou a França para se instalar em Santos. A primeira visita ocorreu em novembro de 2002, quando ele conheceu um ótimo motivo para voltar, além da música: a atual mulher, Marilene. Em 2004, o guitarrista mostrou seu som em Fortaleza, e, em 2007, apresentou o espetáculo "Latcho Drom" no Sesc Santana. Em 2009, foi a vez do Sesc Santos ceder espaço para seu espetáculo "O Caminho do Jazz Manouche".Voltou ao palco do teatro do Sesc Santos no passado, com o show "Nas cordas do coração".
Infelizmente, há pouco para se ver dele no Youtube, por enquanto. Seu canal possui apenas um vídeo, postado em janeiro deste ano, de um improviso executado em apresentação na Pinacoteca Benedito Calixto, em Santos, em 2010.
Pelo que o líder do trio, Mauro Albert, adiantou ao DJANGOLOGIA, o repertório vai ficar mais em torno dos "standards manouches" e algumas composições menos conhecidas, mas bem representativas do estilo. E muito improviso, claro. Sem dúvida, vale conferir.
Serviço
Trio Poucas & Boas e Louis Plessier
Circo Funcart
Rua Senador Naves, 2380 – Jardim Petrópolis, Londrina, PR.
Ingressos R$ 30 (R$ 15 estudantes e professores de música, R$ 10 alunos do Festival de Música e Espectadores Funcart)
Informações: (41) 3342-2362
Canal de Louis Plessier no Youtube
http://www.youtube.com/user/LouisPlessier
quinta-feira, 14 de julho de 2011
Agenda Manouche para julho
Trio POUCAS & BOAS
Dia 13 (quarta-feira) - Gravação para Rádio da Universidade Estadual de Londrina (UEL)
Dia 14 (quinta-feira) - Festival de Música de Londrina - Valentino Bar (Rua Prefeito Faria Lima, 486, )
Dia 21 - Música no Mall - Shopping Catuai (Rodovia Celso Garcia, s/n, km 377, Londrina - PR)
Dias 23 e 24 (sábado e domingo) - Com Louis Plessier (Funcart - Rua Senador Naves, 2380 – Jardim Petrópolis, Londrina, PR)
HOT CLUB DE PIRACICABA
Dia 20 (quarta-feira) - Noite francesa no Tre Ristorante & Vinoteca (Rua Alferes José Caetano, 1410, Centro, Piracicaba - SP. Tels: 19-3435-9803 / 3402-6802)
Se você tem uma banda de jazz manouche e quer divulgar sua agenda de shows, envie-a para o e-mail felipoxss@hotmail.com.
Dia 13 (quarta-feira) - Gravação para Rádio da Universidade Estadual de Londrina (UEL)
Dia 14 (quinta-feira) - Festival de Música de Londrina - Valentino Bar (Rua Prefeito Faria Lima, 486, )
Dia 21 - Música no Mall - Shopping Catuai (Rodovia Celso Garcia, s/n, km 377, Londrina - PR)
Dias 23 e 24 (sábado e domingo) - Com Louis Plessier (Funcart - Rua Senador Naves, 2380 – Jardim Petrópolis, Londrina, PR)
HOT CLUB DE PIRACICABA
Dia 20 (quarta-feira) - Noite francesa no Tre Ristorante & Vinoteca (Rua Alferes José Caetano, 1410, Centro, Piracicaba - SP. Tels: 19-3435-9803 / 3402-6802)
BH GYPSY JAZZ
Dia 23(sábado) - Décima Primeira Festa Nacional Francesa,às 17:00.
Rua Pernambuco,entre Rua Cláudio Manoel e Rua Santa Rita Durão-Belo Horizonte-MG
Dia 29(sexta) - Hot Jazz Club e convidados às 21hrs no Pizza Bar Soul (Av. Albino José Barbosa de Oliveira, 1.277
Barão Geraldo - Campinas | SP)
HOT JAZZ CLUB
Barão Geraldo - Campinas | SP)
Se você tem uma banda de jazz manouche e quer divulgar sua agenda de shows, envie-a para o e-mail felipoxss@hotmail.com.
sábado, 9 de julho de 2011
Temos um novo colaborador!
Agora é oficial: Felipe Salvego, que já tinha corrido atrás do levantamento dos manouches do Brasil, publicado aqui, se tornou colaborador do blog DJANGOLOGIA. Ele vai atualizar a agenda com os shows das bandas e artistas solo que se dedicam ao jazz cigano, aqui no blog e no Twitter.
Felipe, para quem ainda não conhece, é o caçula dos manouches brasileiros. Com apenas 13 anos, já acompanha o pai, Otiniel Aleixo, e José Fernando no Hot Club de Piracicaba, e tem seu próprio duo de jazz cigano com Alex Penezzi, filho do violonista Alessandro Penezzi, que tocava com Otiniel.
"Comecei a tocar meus primeiros acordes por volta dos 4 anos. Depois, com 7, passei a estudar guitarra rock e, com 11, conheci o jazz manouche, que estou estudando. Uso os ouvidos para aprender, observando as pessoas tocarem", conta ele.
PARA SABER MAIS
Hot Club de Piracicaba
http://www.youtube.com/user/hcpira
Gypsy Duo Guitar
http://www.youtube.com/watch?v=1eJg87e-RKg
Alex Penezzi
http://www.youtube.com/user/alexpenezzi
Alessandro Penezzi
http://www.youtube.com/user/apenezzi
Felipe, para quem ainda não conhece, é o caçula dos manouches brasileiros. Com apenas 13 anos, já acompanha o pai, Otiniel Aleixo, e José Fernando no Hot Club de Piracicaba, e tem seu próprio duo de jazz cigano com Alex Penezzi, filho do violonista Alessandro Penezzi, que tocava com Otiniel.
"Comecei a tocar meus primeiros acordes por volta dos 4 anos. Depois, com 7, passei a estudar guitarra rock e, com 11, conheci o jazz manouche, que estou estudando. Uso os ouvidos para aprender, observando as pessoas tocarem", conta ele.
PARA SABER MAIS
Hot Club de Piracicaba
http://www.youtube.com/user/hcpira
Gypsy Duo Guitar
http://www.youtube.com/watch?v=1eJg87e-RKg
Alex Penezzi
http://www.youtube.com/user/alexpenezzi
Alessandro Penezzi
http://www.youtube.com/user/apenezzi
domingo, 3 de julho de 2011
Som manouche chega ao MS
Na maioria das vezes, os jovens são apresentados ao som de Django Reinhardt pelos mais velhos. Não foi o caso do sul-matogrossense Paulo Arguelo. Aos 9 anos, ele estava ainda "nos primeiros acordes" quando viu o filme Poucas e Boas (Sweet and lowdown, 1999), de Woody Allen, provavelmente em 2001. Estava fisgado.
A partir de 2007, já se apresentando em Campo Grande, sua cidade natal, começou a usar a internet para pesquisar mais sobre o sobre o tal guitarrista que o protagonista do filme, o fictício Emmett Ray (Sean Penn), tanto temia. Alertou o pai, o também violonista Sérgio, que aderiu imediatamente à onda.
Os dois gravaram um vídeo, postado no Youtube, executando Rhythme Futur, composição original de Django:
Trata-se de um tema emblemático, ainda que menos badalado. Não costuma ser visto em listas de standards do jazz manouche. Django o registrou duas vezes em disco: em 1 de outubro de 1940 e em 22 de setembro de 1947. Nas duas, esteve acompanhado pelo parceiro descoberto após a separação de Stéphane Grappelli, o novato e talentoso - mas não genial - clarinetista Hubert Rostaing.
Era uma época de mudança. A parceria criativa com Grappelli nunca mais teve igual, mas Rostaing trazia ares de juventude e modernidade à música de Django, que já parecia datada diante da nova sensação nos Estados Unidos, o bebop. A ocupação nazista em Paris o impediria, pelos quatro anos seguintes, de ter contato com os músicos americanos mais entendidos do estilo. Quando veio a liberação, em 1944, imediatamente tentou recuperar o tempo perdido. Procurou se inteirar dos novos dialetos jazzisticos, enquanto recebia convites para revisitar a sonoridade do Quinteto ou colaborar com as big bands dominadas por metais, nas quais atuava como coadjuvante.
Na primeira gravação, além de Rostaing, Django é acompanhado na guitarra por seu irmão, Joseph Reinhardt, pelo contrabaixo de Francis Luca e a bateria do egípcio Pierre Fouad. A sessão de gravação incluiu uma cantora, Josette Dayde, mais uma tentativa do quinteto de fazer concessão ao formato jazzístico mais popular, com vocais. Na segunda, em vez de Joseph, Django tinha na guitarra o primo, Eugéne Vèes, seu contrabaixista favorito, Emmanuel Soudieux, e a bateria de André Jourdan.
O link de Rhythme futur foi colocado pelo Paulo na comunidade Jazz Manouche no Brasil, no Facebook. Depois de conferir e analisar, decidi entrar em contato com ele para algumas perguntas. O resultado está abaixo:
ENTREVISTA // PAULO ARGUELO
Você e seu pai - ou você - se apresentam profissionalmente? Qual a formação musical dos dois?
Sim, estamos fazendo algumas apresentações pela cidade e pelo estado, levando a música regional do Mato Grosso do Sul. Nossa formação é popular. Meu pai me ensinou tudo 'de ouvido', porém vem a necessidade de estudar um pouco de teoria e estou me dedicando a isso agora.
Por que Rhythme futur?
Escolhi Rhythme futur por ser uma música, como o nome diz, à frente do seu tempo e acho que até do nosso tempo. É minha preferida. Muito complexa, só sendo um "monstro" como Django para fazê-la com dois dedos e uma palheta. Eu, com dez dedos, sofri pra aprendê-la.
Quanto tempo de ensaio foi necessário?
Demorou um pouco, acho que uns seis meses. inda estou em fase de adaptação. Se fico uma semana sem tocá-la, regrido muito. Ainda estou aprendendo.
Você usou algum livro com método de jazz cigano?
Nessa música, usei o youtube como grande ferramenta, principalmente, a apresentação do Rosenberg Trio, sensacional! Tenho métodos de jazz manouche que me ajudam muito. O que diferencia e só no uso da palheta - toco com as unhas -, e o meu violão ser de náilon.
O que mais o atraiu na sonoridade de Django?
A sonoridade e o "feeling" acho que são inimitáveis. A nova forma que ele encontrou para tocar só o fez mais fantástico.
Você pretende utilizar elementos do estilo do jazz cigano no seu som a partir desta experiência?
Sim. Sempre fui fanático por flamenco, e agora também pelo manouche. Tento juntar isso sempre ao meu trabalho regional. Às vezes, vou tocar em um lugar e as pessoas pedem algo um pouco diferente. Quando toco algo manouche, a recepção é muito boa. As pessoas dizem: "Já ouvi isso em algum lugar?!" (risos) Aí, faço um resuminho sobre o jazz manouche.
Veja também:
Canal do Paulo Arguelo no Youtube
http://www.youtube.com/user/pauloarguelo
Comunidade Jazz Manouche no Brasil
http://www.facebook.com/home.php?sk=group_117755024959336
A partir de 2007, já se apresentando em Campo Grande, sua cidade natal, começou a usar a internet para pesquisar mais sobre o sobre o tal guitarrista que o protagonista do filme, o fictício Emmett Ray (Sean Penn), tanto temia. Alertou o pai, o também violonista Sérgio, que aderiu imediatamente à onda.
Os dois gravaram um vídeo, postado no Youtube, executando Rhythme Futur, composição original de Django:
Trata-se de um tema emblemático, ainda que menos badalado. Não costuma ser visto em listas de standards do jazz manouche. Django o registrou duas vezes em disco: em 1 de outubro de 1940 e em 22 de setembro de 1947. Nas duas, esteve acompanhado pelo parceiro descoberto após a separação de Stéphane Grappelli, o novato e talentoso - mas não genial - clarinetista Hubert Rostaing.
Era uma época de mudança. A parceria criativa com Grappelli nunca mais teve igual, mas Rostaing trazia ares de juventude e modernidade à música de Django, que já parecia datada diante da nova sensação nos Estados Unidos, o bebop. A ocupação nazista em Paris o impediria, pelos quatro anos seguintes, de ter contato com os músicos americanos mais entendidos do estilo. Quando veio a liberação, em 1944, imediatamente tentou recuperar o tempo perdido. Procurou se inteirar dos novos dialetos jazzisticos, enquanto recebia convites para revisitar a sonoridade do Quinteto ou colaborar com as big bands dominadas por metais, nas quais atuava como coadjuvante.
Na primeira gravação, além de Rostaing, Django é acompanhado na guitarra por seu irmão, Joseph Reinhardt, pelo contrabaixo de Francis Luca e a bateria do egípcio Pierre Fouad. A sessão de gravação incluiu uma cantora, Josette Dayde, mais uma tentativa do quinteto de fazer concessão ao formato jazzístico mais popular, com vocais. Na segunda, em vez de Joseph, Django tinha na guitarra o primo, Eugéne Vèes, seu contrabaixista favorito, Emmanuel Soudieux, e a bateria de André Jourdan.
O link de Rhythme futur foi colocado pelo Paulo na comunidade Jazz Manouche no Brasil, no Facebook. Depois de conferir e analisar, decidi entrar em contato com ele para algumas perguntas. O resultado está abaixo:
ENTREVISTA // PAULO ARGUELO
Você e seu pai - ou você - se apresentam profissionalmente? Qual a formação musical dos dois?
Sim, estamos fazendo algumas apresentações pela cidade e pelo estado, levando a música regional do Mato Grosso do Sul. Nossa formação é popular. Meu pai me ensinou tudo 'de ouvido', porém vem a necessidade de estudar um pouco de teoria e estou me dedicando a isso agora.
Por que Rhythme futur?
Escolhi Rhythme futur por ser uma música, como o nome diz, à frente do seu tempo e acho que até do nosso tempo. É minha preferida. Muito complexa, só sendo um "monstro" como Django para fazê-la com dois dedos e uma palheta. Eu, com dez dedos, sofri pra aprendê-la.
Quanto tempo de ensaio foi necessário?
Demorou um pouco, acho que uns seis meses. inda estou em fase de adaptação. Se fico uma semana sem tocá-la, regrido muito. Ainda estou aprendendo.
Você usou algum livro com método de jazz cigano?
Nessa música, usei o youtube como grande ferramenta, principalmente, a apresentação do Rosenberg Trio, sensacional! Tenho métodos de jazz manouche que me ajudam muito. O que diferencia e só no uso da palheta - toco com as unhas -, e o meu violão ser de náilon.
O que mais o atraiu na sonoridade de Django?
A sonoridade e o "feeling" acho que são inimitáveis. A nova forma que ele encontrou para tocar só o fez mais fantástico.
Você pretende utilizar elementos do estilo do jazz cigano no seu som a partir desta experiência?
Sim. Sempre fui fanático por flamenco, e agora também pelo manouche. Tento juntar isso sempre ao meu trabalho regional. Às vezes, vou tocar em um lugar e as pessoas pedem algo um pouco diferente. Quando toco algo manouche, a recepção é muito boa. As pessoas dizem: "Já ouvi isso em algum lugar?!" (risos) Aí, faço um resuminho sobre o jazz manouche.
Veja também:
Canal do Paulo Arguelo no Youtube
http://www.youtube.com/user/pauloarguelo
Comunidade Jazz Manouche no Brasil
http://www.facebook.com/home.php?sk=group_117755024959336
terça-feira, 7 de junho de 2011
A batucada de Bina

A família do menino Bina mudou-se do Rio de Janeiro, onde ele nasceu em 1973, para São Paulo, quando ele ainda era criança. Do avô violinista, guardou apenas uma imagem dele mostrando-lhe o instrumento. Jogar futebol era divertido, mas o menino deixava a pelada com a turma da rua sempre que ouvia o som de guitarra que saía da casa de um vizinho. Aos 10 anos, começou a ouvir rock n' roll, pelo qual conheceu o jazz e, a partir deste, a bossa nova "e assim por diante".
O interesse pela música de Vinício Coquet o levou a estudar com alguns professores particulares, "pescando um pouco ali um pouco aqui". Também frequentou a Universidade Livre de Música (ULM). Estava correndo em busca de "um determinado som"... ou seja, o seu. Há oito anos, Bina se divide entre Nova York e São Paulo, onde participa de diversos projetos musicais.
Recentemente, trabalhou em dois álbuns com o pianista novaiorquino Ehud Asherie - este tocando órgão Hammond -, no projeto intitulado Samba de gringo. Também participou do CD da big band paulista Orquestra Saga (Sociedade Amigos da Gafieira), com presenças de Seu Jorge, Fabiana Cozza e Wilson Das Neves. Em entrevista ao blog DJANGOLOGIA, Bina fala do novo trabalho que está lançando, disponível para download gratuito, Batuque manouche, no qual investe na mistura de ritmos brasileiros com a pegada do jazz cigano.
ENTREVISTA // VINÍCIO 'BINA' COQUET
Como você conheceu o jazz manouche? Ouvindo o próprio Django ou outro artista?
Eu já conhecia Django, mas o Jazz Manouche conheci em 2009 pelo youtube. Fiquei surpreso de ver [que Django tinha] uma penca de seguidores! Na verdade, eu vinha estudando violão de 7 cordas, influenciado pelo Dino 7 Cordas, que também lembra o estilo pelo fato das cordas de aço. Eu já achava uma semelhança entre Django e Jacob do Bandolim, mas quando ouvi a gravação de Tico-Tico pelo Garoto, no violão tenor, fui procurar saber mais sobre Django e descobri o jazz manouche. A partir dai comecei a querer mudar o meu som. Senti que eram essas a técnica e a sonoridade que eu estava procurando pra executar as melodias de choros e outras coisas. Tenho um problema com as unhas, minhas unhas não crescem muito e, quando crescem, estão sempre quebrando.
O que mais lhe atraiu no estilo manouche?
A sonoridade do violão, a ideia dele "empurrar" o som, os vibratos, a expressão... e a semelhança com valsas e choros brasileiros, mesmo porque há uma influência europeia em ambos.
Que outros artistas participam das gravações?
Até agora, tem Anat Cohen, tocando clarinete em uma versão da musica do Cartola, Alvorada, tem também o Barão do Pandeiro, cantando Minha, também do Cartola e tocando pandeiro em outras. Pode ser que eu inclua uma gravação mais antiga de uma música minha com Marku Ribas cantando, mas isso ainda não decidi, ainda tem mais coisas pra se gravar.
Que instrumentos usou nas gravações?
No fim de 2010, comprei meu primeiro violão manouche. É um Belleville, antigo american manouche. Toquei cavaquinho também e violão de 7 cordas. E tem percussão também, lógico, o batuque! São vários convidados na percussão.
Além do choro, você mistura ritmos inesperados ao manouche, como o frevo e o xote. Como surgiram as ideias para estes temas?
Há algum tempo, venho me dedicando exclusivamente à música brasileira. Tenho muito o que aprender, assim como na técnica manouche, que ainda é uma novidade pra mim. Me preocupo em fazer música. Não música para músico. Tem muito músico bom fazendo música chata! Costumo frequentar bares e casas de samba, forró, rodas de Choro, samba-rock, e é natural o povo dançar. É maravilhoso dançar ao som de Noites Cariocas, mas pode-se também sentar e ficar só ouvindo. Aqui em NY, quando vou ver meu amigo Stephane Wrembel e seu projeto Django Experiment, vejo que muita gente tem vontade de sair dançando, mas por timidez e falta de ginga, não rola, diferente do povo brasileiro!
>> Veja mais sobre Bina Coquet no Youtube, Myspace e no Twitter.
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