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domingo, 9 de agosto de 2009

Chester 'Chet' Burton Atkins (20/06/1924 - 30/6/01)

Estátua de bronze no foyer de entrada do Bank of America, na 4ª Avenida Norte, 315, Nashville, Tennessee. Crédito: http://www.lordscapes.com/misterguitar.html

Sábado, 30 de junho de 2001 – 18h49min
Guitarrista Chet Atkins morre aos 77*

por Jim Patterson

NASHVILLE, Tenn. (Associated Press) – Chet Atkins, cujo estilo de guitarra influenciou uma geração de músicos de rock, mesmo enquanto ajudou a desenvolver um estilo country easygoing para competir com este, morreu no sábado. Ele tinha 77.

Atkins morreu em casa, disse um diretor do funeral.

Atkins tinha batalhado contra o câncer por vários anos. Ele se submeteu a uma cirurgia para eliminar um tumor no cérebro em junho de 1997, e teve uma luta contra o câncer de cólon nos anos 70.

Atkins gravou mais de 75 álbuns instrumentais de guitarra e vendeu mais de 75 milhões de álbuns. Ele tocou em vários discos de sucesso, incluindo aqueles de Elvis Presley (“Heartberak Hotel”), Hank Williams Sr. (“Your cheatin’ heart”, “Jambalaya”) e The Everly Brothers (“Wake up, little Susie”).

Como executivo da RCA por quase duas décadas, começando em 1957, Atkins teve participação nas carreiras de Roy Orbison, Jim Reeves, Charley Pride, Dolly Parton, Jerry Reed, Waylon Jennings, Eddy Arnold e muitos outros.

“É impossível sintetizar sua vida – devido ao profundo impacto que ele teve como um maravilhoso ser humano e incrível membro de nossa indústria”, disse Joe Galante, presidente da RCA Label Group em Nashville. “Sua qualidade artística e sua influência como um líder da indústria tiveram impacto em muitos. Não há maneira de substitui-lo nem o que ele significou para a música e nossa comunidade de Nashville”.

Atkins ajudou a criar o som de Nashville, usando seções de cordas e um monte de eco para fazer gravações que apelavam para ouvintes mais velhos não interessados em música rock. Entre suas notáveis produções estão “The end of the world”, por Skeeter Davis, e “He’ll have to go”, por Reeves.

“Percebi que o que eu gostava, o público gostaria, também”, disse Atkins em uma entrevista de 1996 com a Associated Press, “porque sou um pouco quadrado”.

Chester Burton Atkins nasceu em 20 de junho de 1924, em uma fazenda próximo a Lutrell, Tennessee, cerca de 35 quilômetros a nordeste de Knoxville. Seu irmão mais velho Jim Atkins também tocava guitarra e seguiu para se apresentar com Les Paul. O primeiro emprego profissional de Chet Atkins foi como violinista na WNOX, em Knoxville, onde seu patrão era o cantor Bill Carlisle.

“Ele era terrível”, disse Carlisle em um concerto-tributo a Atkins em 1997. “Mas eu o ouvi durante um intervalo tocando guitarra e decidi apresentá-lo naquilo”.

O incomum estilo de dedilhado de Atkins, uma variação pseudo-clássica influenciada por talentos tão diversos quanto Merle Travis e Django Reinhardt, conseguiu contratá-lo e despedi-lo de empregos em estações de rádio por todo o país. Atkins às vezes brincava que no começo, seu estilo soava “como dois guitarristas tocando mal”.

Durante os anos 40, ele saiu em turnê com vários números, incluindo Red Foley, The Carter Family e Kitty Wells. O executivo da RCA Steve Sholes tomou Atkins como protegido nos anos 50, usando-o como guitarrista da casa em sessões de gravação.

A RCA começou a editar álbuns instrumentais de Atkins em 1953. George Harrison, cujos trabalhos na guitarra nos primeiros álbuns dos Beatles é fortemente influenciado por Atkins, escreveu as notas para “Chet Atkins picks on the Beatles”.

Sholes colocou Atkins a cargo da RCA Nashville quando ele foi promovido em 1957. Lá, ele ajudou Nashville a sobreviver ao desafio do rock n’ roll com o Som de Nashville. O som intrincado foi criticado pelos puristas que preferem sua música country crua e sem adornos.

Akins não se arrependeu, dizendo na época que seu objetivo era simplesmente “manter meu emprego”.

“A maneira para isso é fazer um álbum de sucesso de vez em quando”, disse ele, em 1993. “E a maneira para isso é dar à audiência algo diferente”.

Atkins abandonou o emprego como executivo nos anos 70 e se concentrou em tocar sua guitarra. Colaborou com uma vasta gama de artistas em álbuns solo, incluindo Mark Knopfler, Paul McCartney, Eric Johnson, George Benson, Susie Bogguss e Earl Klugh.

Na época que ficou doente, Atkins tinha acabado de lançar um CD, "The Day Finger Pickers took over the World (O dia em que os dedilhadores conquistaram o mundo)". Ele tinha também começado performances regulares na Segunda à noite em um clube de Nashville.

“Se eu sei que tenho que fazer um show, eu pratico bastante, porque você não pode ir lá e se embaraçar”, disse Atkins em 1996. “Então eu pensei, se eu tocar toda semana, eu não vou estar tão enferrujado e tocarei muito melhor”.

Ele deixa a esposa por mais de 50 anos, Leona Johnson Atkins, e a filha Merle Atkins.

O funeral será na terça-feira de manhã no Ryman Auditorium de Nashville, a antiga casa da Grand Ole Opry. O salão também será usado para serviços memoriais para a cantora country Tammy Wynnette e o fundador do bluegrass em anos recentes Bill Monroe.


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*OBS: a tradução apresentada é do autor do blog e a foto tem caráter ilustrativo somente, não correspondendo portanto, de maneira exata, ao material que tenha sido veiculado pelo serviço da agência notícias no Brasil.


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VERSÃO ORIGINAL


Saturday, June 30th, 2001– 6:49 PM–ET
Guitarist Chet Atkins Dies at 77
by Jim Patterson

NASHVILLE, Tenn. (AP) – Chet Atkins, whose guitar style influenced a generation of rock musicians even as he helped develop an easygoing country style to compete with it, died Saturday. He was 77.

Atkins died at home, a funeral director said.

Atkins had battled cancer several years. He underwent surgery to remove a brain tumor in June 1997, and had a bout with colon cancer in the 1970s.

Atkins recorded more than 75 albums of guitar instrumentals and sold more than 75 million albums. He played on hundreds of hit records, including those of Elvis Presley (“Heartbreak Hotel”), Hank Wlliams Sr. (“Your Cheatin' Heart, “'Jambalaya”) and The Everly Brothers (“Wake Up Little Susie”).

As an executive with RCA Records for nearly two decades beginning in 1957, Atkins played a part in the careers of Roy Orbison, Jim Reeves, Charley Pride, Dolly Parton, Jerry Reed, Waylon Jennings, Eddy Arnold and many others.

“It’s impossible to capsulize his life – due to the profound impact he's had as a wonderful human being and incredible member of our industry,'' said Joe Galante, chairman of the RCA Label Group in Nashville. “His artistry and his influence as an industry leader have impacted so many. There is no way to replace him nor what he has meant to music and our Nashville community”.

Atkins helped craft the lush Nashville Sound, using string sections and lots of echo to make records that appealed to older listeners not interested in rock music. Among his notable productions are “The End of the World” by Skeeter Davis and “He'll Have to Go” by Reeves.

“I realized that what I liked, the public would like, too”, Atkins said in a 1996 interview with The Associated Press. “cause I'm kind of square”

Chester Burton Atkins was born June 20, 1924, on a farm near Luttrell, Tenn., about 20 miles northeast of Knoxville. His elder brother Jim Atkins also played guitar, and went on to perform with Les Paul. Chet Atkins' first professional job was as a fiddler on WNOX in Knoxville, where his boss was singer Bill Carlisle.

“He was horrible”, Carlisle said at a tribute concert to Atkins in 1997. “But I heard him during a break playing guitar and decided to feature him on that”.

Atkins' unusual fingerpicking style, a pseudoclassical variation influenced by such diverse talents as Merle Travis and Django Reinhardt, got him hired and fired from jobs at radio stations all over the country. Atkins sometimes joked that early on his playing sounded “like two guitarists playing badly”.

During the 1940s he toured with many acts, including Red Foley, The Carter Family and Kitty Wells. RCA executive Steve Sholes took Atkinson as a protege in the 1950s, using him as the house guitarist on recording sessions.

RCA began issuing instrumental albums by Atkins in 1953. George Harrison, whose guitar work on early Beatles records is heavily influenced by Atkins, wrote the liner notes for “Chet Atkins Picks on the Beatles”

Sholes put Atkins in charge of RCA Nashville when he was promoted in 1957. There, he helped Nashville survive the challenge of rock n' roll with the Nashville Sound. The lavish sound has been criticized by purists who prefer their country music raw and unadorned.

Atkins was unrepentant, saying that at the time his goal was simply “to keep my job”.

“And the way you do that is you make a hit record once in a while”, he said in 1993. “And the way you do that is you give the audience something different”.

Atkins quit his job as an executive in the 1970s and concentrated on playing his guitar. He's collaborated with a wide range of artists on solo albums, including Mark Knopfler, Paul McCartney, Eric Johnson, George Benson, Susie Bogguss and Earl Klugh.

At the time he became ill, Atkins had just released a CD, “The Day Finger Pickers took over the World”. He also had begun regular Monday night performances at a Nashville club.

“If I know I've got to go do a show, I practice quite a bit, because you can't get out there and embarrass yourself”. Atkins said in 1996. “So I thought, if I play every week I won't be so rusty and I'll play a lot better”.

Survivors include his wife of more than 50 years, Leona Johnson Atkins, and a daughter, Merle Atkins.

The funeral is Tuesday morning at Nashville's Ryman Auditorium, the former home of the Grand Ole Opry. The hall was also used for memorial services for country singer Tammy Wynette and bluegrass founder Bill Monroe in recent years.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

O doce hino de um tempo amargo



por Marcio Beck

O clima melancólico e suave de Nuages a tornou, segundo os djangólogos, o "hino substituto" da França durante os anos da ocupação nazista. Quase inacreditável que tenha sido composta em um contexto de bombardeios, invasões e inclusive perseguições – ciganos também eram mandados para campos de concentração.

Segundo os biógrafos Michel Dregni e Alain Antonietto, foi mostrada ao público – ao vivo – pela primeira vez em 21 de setembro de 1941, no 2º Festival Swing, realizado pelo Hot Clube de France na Salle Pleyel (espécie de Carnegie Hall parisiense da época). O resultado foi estrondoso:

A multidão não o deixava começar a música seguinte, forçando-o a parar e tocar mais uma vez a nova melodia. E então, tocar de novo. Ao todo, ele executou Nuages três vezes em seguida, e o público ainda não estava satisfeito. Mais de 100 mil cópias dos [discos de] 78 [rotações] foram subseqüentemente vendidos.

Nos 13 anos seguintes, até sua morte, em maio de 1953, gravou 13 versões do tema, que se tornou um dos poucos standards de jazz compostos por não-europeus.

A gravação original data de 13 de dezembro de 1940. Nela, Django é acompanhado na melodia e nos solos pelo recém-descoberto substituto de Stephane Grapelli (que se instalara na Inglaterra após o início da Segunda Guerra), o clarinetista Hubert Rostaing. O irmão, Joseph, faz a guitarra rítmica e há ainda o saxofonista-prodígio Alix Combelle.

Em 1942, durante uma excursão à Bélgica, teve a oportunidade de tocar com uma big band, Stan Brenders et son Grand Orchestre, e se deliciou. No dia 8 de maio, entrou no estúdio para registrar uma versão mais adocicada, turbinada pela seção melódica com três trumpetes, dois trombones, três clarinetas, dois sax alto, três sax tenor, um sax barítono, quatro violinos e piano, além de baixo e bateria no ritmo.

Nesse ano, ganhou também versão com letra, pelas mãos da chansonnier Lucienne Delyle, esposa do trompetista Aimé Barelli, que tocava ocasionalmente com a nova formação do Quinteto. A gravação foi feita em 7 de julho, com orquestra regida pelo maestro Jacques Métehen.

A reunião com Grappelli em Londres, em 1946, não trouxe a dupla de volta full-time, mas rendeu duas novas versões de Nuages, registradas nos estúdios da Decca no dia 1º de fevereiro daquele ano. Os dois franceses são acompanhados por seção rítmica inglesa: Jack Llewellyn e Allan Hodgkiss (guitarras) e Coleridge Goode (contrabaixo).

Começava a época de experimentalismo com formações menores e diferentes do som do Quinteto – baseado na batida das guitarras rítmicas – do qual queria se distanciar artisticamente. Acompanhado pela clarineta de Maurice Meunier e o piano de Eddie Bernard, registrou mais uma ‘encarnação’ de Nuages em programa para a Radiodiffusion-Television Française (RTF), no dia 25 de agosto de 1947. Completando a formação, o primo Eugéne Vèes (guitarra), Emmanuel Soudieux (baixo) e Jacques Martinon (bateria).

No ano seguinte, novamente, há duas versões gravadas, ambas valiosíssimas. A primeira, no Festival de Nice, em 28 de fevereiro, também transmitido pela rádio RTF. Nela, toca novamente ao lado de Grappelli e dois guitarristas rítmicos: o irmão Joseph e o ‘primo’ cigano Challain Ferret, além do baixo de Soudieux. Na segunda, um concerto de data não-especificada em dezembro, no Theatre des Galeries, em Bruxelas, Django aparece ao lado do filho primogênito, o também guitarrista Henri Louson Baumgartner, além do fiel escudeiro Rostaing, o baixista Louis Vola e o baterista Arthur Motta.

Em Roma, em 1949, Django experimentou uma formação minimalista com os instrumentistas locais: Gianni Safred (piano), Marco Pecori (baixo) e Aurelio de Carolis (bateria). Nos estúdios da Radio Audizioni Itália (RAI), ao longo de janeiro e fevereiro, registraram duas novas versões de Nuages. Em 1950, voltou à RAI, mas com o clarinetista André Ekyan, o pianista Ralph Schecroun, o baixista Alfred Masselier e o baterista Roger Paraboschi. Em abril e maio, nova seqüência de gravações, e uma nova Nuages.

Em 1951, novamente, duas versões. A primeira, gravada no Club Saint Germain-des-Près, local da moda em Paris. Nesta, predominam novamente os metais, como o trompete de Bernard Hullin e o sax alto de Hubert Fol. O irmão de Hubert, Raymond, toca piano, o baixista Pierre Michelot e o baterista Pierre Lemarchand completam a formação. Consta ainda um take solo tirado para uma trilha sonora de filme, não-especificado.

A derradeira ‘nuvem’ passou diante dos olhos de Django dois meses antes de sua morte. A 10 de março de 1953, ainda empolgado com os resultados da formação piano-baixo-bateria, convocava Maurice Vander, Pierre Michelot e Jean-Louis Viale para gravar para o selo Blue Star como Django Reinhardt et ses Rhythmes.

Talvez seja a mais melancólica de todas as encarnações da melodia. Curiosamente, trata-se da versão de andamento mais lento e de maior comedimento no solo por parte de Django. Destaca-se ainda mais pelo acompanhamento sutil, muitas vezes praticamente inaudível, tornando-a quase um solo de inspiração no bebop.

O mestre do violão clássico Julian Bream foi um dos muitos artistas que deu sua versão ao tema, ao longo das últimas décadas, sozinho e ao lado de Stephane Grappelli.


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Palavra de prodígio

Gravando - Os bastidores da música

No fundo, sempre serei um músico.

A música faz parte da minha vida desde os meus 3 anos de idade, quando vi um cigano tocando violino num restaurante, em troca de algumas gorjetas. Algo nele me fascinou, e fiquei tão louco por aquilo, que meus pais correram a uma loja e compraram um violino de brinquedo. Eu me encantei com o violino e, aos 4 anos de idade, já estava tocando o instrumento de verdade e estudando música clássica com o maestro de uma orquestra sinfônica.

(...)

O jazz, mais do que qualquer outro gênero musical, tem sido um tema constante em minha vida e em meu trabalho.

Para um aluno de música clássica, jazz era o fruto proibido, mas eu era rebelde. O jazz se tornou meu nirvana musical: o supra-sumo da confluência de melodia, ritmo e expressão musical desenfreada. Embora meus professores formados em música clássica me desencorajassem, eu queria que meu violino vagasse pelo mundo do jazz, como fizeram Stephan
(sic) Grappelli e Django Reinhardt. Comecei a tocar em pequenos clubes na Rua 52, o que despertou a ira dos meus professores na Julliard, que não tinham escrúpulos em expressar o seu desprazer.

- Phil Ramone, produtor musical ganhador de 14 prêmios Grammy, em Gravando - Os bastidores da música (Guarda-chuva, 2008)

domingo, 13 de julho de 2008

O dia em que conheci Django

Stephane Grappelli, Eugène Vées, Django, Joseph Reinhardt e Roger Grasset

por Albert Offenbach*

Isso é o que aconteceu lá atrás, em 1938...

Fui para Deauville no feriado. Tinha dezoito anos. Naqueles dias, chás dançantes estavam na moda, então toda tarde eu ia para o chá dançante do Iate Clube, (que era dirigido por George Carpontiea, o ex-campeão francês de boxe), onde havia duas bandas. Uma era a banda dançante de Maurice Winnick; a outra, uma pequena banda cigana.

Na banda cigana, havia um guitarrista que tocava no estilo de Django. Eu não era muito bom de francês, mas consegui dizer-lhe que ele tocava como Django. Bem, ele ficou encantado de ouvir e disse que era o irmão de Django, Joseph. A medida que o via diariamente, ficamos bastante amigos e ele me disse que o Hot Club estaria tocando em Londres, no State Cinema Kilburn, dentro de alguns meses e se eu viesse aos bastidores vê-lo, ele me apresentaria a Django. Bem, isso não podia ser perdido, poderia? Então quando chegou a época, levei meu irmão mais novo (que tocava muito bem naquele tempo) e um amigo para ver o show.

Após o show, fomos para os bastidores ver se Joseph lembrava de mim. Ele lembrava e estava bastante contente em me ver, e me apresentou a Django, que era educado, mas não muito interessado no início. Então, vi a guitarra de Django deitada lá. Pensei que adoraria poder dizer que toquei a guitarra dele então perguntei se podia. Ele disse "claro!" Toquei alguns acordes no estilo do hot club e toda sua atitude mudou, ele se tornou muito amigável. Perguntei-lhe se gostaria de vir tomar um drinque num pub, ele aceitou e então disse ao resto do Hot Club que estávamos todos saindo para um drinque. Todos foram, exceto Stéphane Grappelly. No caminho para o pub, o amigo com o qual eu vinha disse "não vamos para o pub, vamos para casa para um drinque", e Django disse "OK".

Voltamos pra a casa de meu amigo, ele tinha um grande bar em casa, e tomamos alguns drinques. `Perguntei a Django se ele tocaria se eu trouxesse minhas guitarras. Ele disse sim, se eu tocasse com ele. Então, fui pegar minhas guitarras. Eu vivia muito perto da casa de meu amigo e tinha duas Gibsons. Uma comprara de Len Williams, o pai de John Williams por cinco libras, a outra era uma FDH Special.

Que emoção tocar para Django. Meu irmão mais novo era muito melhor guitarrista que eu e tinha pego o solo de
Limehouse Blues da gravação de Django, e quando ele ouviu meu irmão tocar ficou encantado. Era realmente muito modesto e nunca se deu conta de tinha um séquito tão grande.

Depois de tocar um pouco, paramos, e começamos a colocar alguns discos no gramofone. Um deles era de Chick Webb, tocando ‘Undecided’, cantado por Ella Fitzgerald. Ele adorou e disse que gravaria. Disse que precisava de uma cantora, portanto recomendamos a cantora da Romany Band, uma garota chamada Beryl Davis.

Após mais alguns drinques, nós os levamos de volta para o hotel e nos despedimos. Pensei que seria o fim daquilo, mas dias mais tarde, Django me ligou e nos convidou para a casa noturna em que o Hot CLub estava tocando, chamada The Nut House, dirigida por Al Burnett. Pode-se imaginar como eu estava empolgado. Tinha uns dezoito anos na época, e convidado pelo grande Django.

Fomos para o clube, mas Al Burnett não nos deixou entrar, duvidando que tívessemos sido convidados por Django. No entanto, como eu não ia embora, consegui convencê-lo a verificar. Demorou um pouco, mas enfim ele o fez, e Django saiu dos bastidores e disse que éramos seus convidados. Tinha uma mesa reservada para nós na frente. Assistimos o show, dançamos um pouco, e por volta das 4h30 fomos para Lyons Corner House tomar café da manhã. O Quinteto todo, exceto Grappelli. Acho que ele era um pouco soberbo demais para nós naqueles tempos.

Django pagou a conta para todos. Tentei ressarci-lo, mas ele nem queria escutar. Bem, este é o fim da história.

Pouco tempo depois, eu estava no exército e desembarquei na praia da Normandia com uniforme completo e a minha guitarra, mas isto é outra história.


* tradução Marcio Beck

TEXTO ORIGINAL
The day I met Django

This is what happened way back in 1938...

I went to Deauville on holiday. I was eighteen. In those days tea dances were in, so every afternoon I went to the Yacht Club tea dance, (It was run by George Carpontiea the French ex boxing champ), there was two bands, one was Maurice Winnick's dance band, and the other a small Gypsy band.

In the Gypsy band was a guitarist who played in the style of Django. I was not much good at French, but I managed to tell him he played like Django, well he was delighted to hear it and told me he was Django’s brother, Joseph. As I saw him every day we got quite friendly and he told me that the Hot Club was playing in London at the “State Cinema” Kilburn, in a few months time and if I came back stage to see him he would introduce me to Django. Well that could not be missed could it! So when the time came I took my young brother (who played very well in those days) and a friend to see the show.

After the show we went back stage to see if Joseph remembered me, well he did and was very pleased to see me, he introduced me to Django who was polite but not very interested at first, then I saw Django’s guitar laying there. I thought I would love to be able to say I have played Django’s guitar so I asked him if I could and he said sure. I banged out a few chords in the hot club style and his whole attitude changed and he became very friendly. I asked him if he would like to come for a drink in the pub and he said yes, then he said to the rest of the hot club in French of course that we were all going for a drink, they all came except Stéphane Grappelly. On the way to the pub, the friend I came with said, lets not go to the pub lets go home for a drink, and Django said OK.

We got back to my friends house, he had a great bar in his house, and we had a few drinks, I then said to Django If I got my guitars would he play , he said yes if I played with him, so off I went to get my guitars, I lived very near my friends house. I had two Gibsons, one I bought from Len Williams the father of John Williams for £5, the other was a FDH Special.

What a thrill to play for Django. My young brother was a much better player than I was and he had taken the solo of Limehouse Blues, off the Django record, and when he heard my brother play he was delighted. He was really very modest and never realised he had such a big following.

After a bit of playing, we stopped, then started to play some gramophone records, one was of Chick Web playing undecided sung by Ella Fitzgerald. He loved it and said he would record it. He said he needed a singer for it, so we recommended the singer from the Romany Band, a girl called Beryl Davis.

After A few more drinks, we took them all back to their Hotel said good night and I thought that would be the end of it, but a couple of days later Django rang me and invited us all to the Night Club that the Hot Club was playing at, called The Nut House, run by All Burnett. Well, you can imagine how excited I was. A kid of eighteen then, invited by the great Django.

We went to the Club but All Burnette would not let us in, as he did not believe we had been invited by Django however I would not go, I persuaded him to check and it took some doing, but at last he did, and Django came out and told him we were his guests. He had a table reserved for us right in the front, we watched the show danced a bit with a few of the birds that were there, then at about 4.30PM we all went to Lyons Corner House for breakfast the whole hot club but not Grappely. I think he was a bit too posh for us in those days.

Django paid the bill for everybody, I tried to pay him back but he would not hear of it. Well thats the end of the story.

A short while after that I was in the army and actually landed on the beach in Normandy in full kit, and my guitar, but that is another story.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

J'attendrai, hier et aujourd'hui



por Marcio Beck

O único filme do Quinteto do Hot Clube da França, e portanto, da dupla Django Reinhardt e Stéphane Grapelli, com som sincronizado – registrado em 1938 ou 1939 – foi redescoberto em 2002 pela produtora Lobster Films, restaurado e incluído no terceiro DVD da coleção Retour de Flamme, de música francesa. Postado acima, está só o trecho correspondente ao Quinteto em si.

Antes, há uma explanação até cansativa sob o título 'The evolution of jazz (A evolução do jazz)'. Não há muitos dados da produção; a própria Lobster Films forneceu mais de uma data possível. O texto em inglês em off permite supor que se tratava, como os djangófilos mais eméritos especularam, de filmete ‘educativo’ sobre o estilo musical ainda pouco conhecido no país.

Com a fama já consolidada na França, impulsionados pelos recentes sucessos Minor Swing e Boléro, o Quinteto aportara em Londres em janeiro de 1938. Haviam sido convocados pelo empresário russo radicado na Grã-Bretanha Lew Grade (Louis Winogradski), que os assistira no cabaré da dançarina e cantora americana Ada Beatrice Queen Victoria Louise Virginia Smith, a Bricktop.

A conquista do público britânico, com shows no circuito de vaudeville por toda a Inglaterra e gravações nos estúdios da Decca, catapultou o Quinteto para uma turnê pela Escandinávia. Voltaram a Paris por um breve intervalo e retornaram à Inglaterra, onde a eclosão da Segunda Guerra Mundial fez o grupo se separar.

No show registrado no DVD Jazz a Vienne, parte do Gypsy Project de Biréli Lagrène, três dos discípulos mais inspirados de Django – Tchavolo Schmitt, seu primo Dorado e Stochelo Rosenberg – registraram uma longa versão do tema, que é adaptado da cançoneta napolitana Tornerai, letra de Nino Rastelli e música de Dino Olivieri.



J'attendrai ganhou letra em francês, no fim da década de 1930, feita sob encomenda da cantora italiana radicada na França Rina Pichetto (Rina Ketty). Foi usada na trilha sonora do filme alemão O Barco (Das Boot), passado num submarino alemão, na 2ª Guerra Mundial. É a música preferida do comandante. Em Um bom ano (A good year, 2006), filme estrelado por Russel Crowe, aparece a versão do chansonnier Jean Sablon, que também tocou com Django, antes do cigano ficar famoso pela Europa.

J'attendrai

J'attendrai
Le jour et la nuit
J'attendrai toujours
Ton retour

J'attendrai
Car l'oiseau qui s'enfuit
Vient chercher l'oubli
Dans son nid

Le temps passe et court
En battant tristement
Dans mon coeur si lourd
Et pourtant j'attendrai
Ton retour

Le vent m'apporte
Des bruits lointains
Guettant ma porte
J'écoute en vain
Hélas, plus rien
Plus rien ne vient



Esperarei*

Esperarei
O dia e a noite
Esperarei sempre
Teu retorno

Esperarei
Pois o pássaro que foge
Vem buscar o que esqueceu
Em seu ninho

O tempo passa, e curto
Pulsando tristemente
Em meu coração tão pesado
E, no entanto, esperarei
Teu retorno

O vento traz
Barulhos distantes
Batendo em minha porta
Escuto em vão
Ah, infelizmente, mais nada
Mais nada vem


* tradução Beatriz Nascimento Lins de Oliveira

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Começou com uma corda quebrada*

Stephane e Django



por Marcio Beck

O clima elegante e formalíssimo do chá dançante do Hotel Claridge deve ter impedido Stéphane Grappelli de soltar uma imprecação quando uma corda de seu violino Pierre Hel – presente do mentor, Michel Warlop – arrebentou, a poucos minutos de mais um set da apresentação diária. A banda de 14 peças (vocal, acordeão, dois pianos, dois violinos, trumpete, três saxofones, duas guitarras, baixo e bateria) dirigida pelo baixista e acordeonista Louis Vola revezava-se com uma orquestra de tango e teria de voltar ao palco.

Grappelli trocou a corda, mas estava tendo dificuldades em afiná-la, devido ao som que emanava do palco. Foi para os bastidores e começou a acertar a tonalidade da corda rebelde, improvisando uma melodia que lhe ocorrera na hora. Absorvido pela imaginação, tirou algumas frases ‘quentes’ do violino, como não lhe era permitido fazer na apresentação. O público ali era extremamente conservador, completo avesso às músicas que animavam as casas noturnas da Rua Pigalle e adjacências, em meados da década de 1930.

Uma guitarra se juntou ao violino de Grappelli. Era Django Reinhardt, o singular cigano que conhecera em 1931, na boate La Croix du Sud, em Montparnasse. Grappelli lembrava como o guitarrista aparecera na casa certa noite, com cara de poucos amigos, para vê-lo e ouvi-lo. Django tocara violino na infância; abandonou-o pelo banjo, mas continuou fascinado pelo instrumento. Segundo relato de Grappelli, tão logo foram apresentados, o cigano chegou a levá-lo ao acampamento onde morava, nos arredores da cidade, para passar alguns dias tocando e bebendo.

A improvisação durou poucos minutos, mas tornou-se hábito nos intervalos do chá dançante do hotel. Com um raro entrosamento musical, a dupla passou a improvisar sobre os standards de jazz que ouviam nos discos americanos que os mesmerizavam havia anos. Outro dia, Vola juntou-se a eles, com o baixo. Noutro, Roger Chaput acrescentou uma guitarra. Eventualmente, Joseph também juntou-se ao grupo.

Grappelli, em várias entrevistas ao longo da vida, afirmou que Django chamara o irmão por estar se sentindo diminuído quando apenas Chaput os acompanhava. Quando Grappelli solava, duas guitarras sustentavam a base, além do baixo. Quando era Django a solar, havia apenas a guitarra do ‘primo’ cigano e o baixo. Com a nova formação, quando Grappelli começava um solo, Django fazia preenchimentos na base, e frases curtas. O repertório de improvisações foi se ampliando ao longo do verão de 1934. Os standards americanos Dinah e Tiger Rag eram os temas preferidos.

As jam sessions não passavam de distração para os músicos, nos raros momentos em que não estavam tocando para ganhar a vida, até que o estudante Pierre Nourry ouviu falar delas. Anos antes, ele tinha se juntado a um grupo de jovens entusiastas franceses do jazz capitaneados pelo ‘playboy erudito’ Hugues Panassiè. Filho de artistas abastados e dono de uma coleção monumental de discos americanos, Panassiè gostava de ser reconhecido como guru do grupo, oficializado com o nome de Hot Club da França.

Nourry convidou Panassiè a escutá-los, e este aprovou o som como sendo original e de qualidade. Coube a Charles Delaunay buscar a viabilidade comercial do grupo, o que não era fácil. Afinal, era swing jazz feito exclusivamente com cordas, numa época em que reinavam ainda, olimpicamente, os metais e o piano, com a marcação sincopada da bateria e uma voz potente, de preferência. Tão inovador que quando fizeram a primeira gravação, I saw stars e Confessin’ para a Odéon, em 9 de outubro daquele ano, esta foi engavetada. Muito ‘modernosa’ (modernistique), disseram os diretores da Odéon, na carta em que explicavam a recusa.

A modesta Societè Ultraphone Française, no entanto, tinha menos reputação a arriscar se o som do grupo, provisoriamente chamado Delaunay’s Jazz, fosse rejeitado pelos ouvintes. Era um selo originalmente alemão, responsável por algumas das principais gravações de música cigana do Leste Europeu à época. O diretor, monsieur Raoul Caldairou, só teve que negociar as quantias astronômicas que os músicos solicitavam.

Os acompanhantes (Chaput, Joseph e Vola) receberiam 30 francos por lado gravado; Grappelli, 50 francos. Além do pagamento, ficou acertado que Django receberia royalties de 5%. Combinado o pagamento, o Quinteto entrou no estúdio em 17 de dezembro e gravou quatro temas: Dinah, Tiger Rag, Lady be good e novamente I saw stars. Desta vez, no entanto, as músicas estavam destinadas a conquistar o grande público. Foi o que ocorreu ao longo de 1935.

* Título inspirado na abertura do capítulo 'Le hot - 1934-1935', em Django: The life an myth of a gypsy legend, de Michel Dregni (Oxford University Press, 2004).

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Em memória de ‘El Negro’

Oscar Marcelo Alemán

por Marcio Beck

Amigo e rival – involuntário, segundo seu biógrafo – de Django Reinhardt, o maior expoente da guitarra jazzística do outro lado do Atlântico era um músico argentino que também dominava o cavaquinho e a guitarra havaiana. Discípulo de um violonista brasileiro, Oscar Marcelo Alemán conseguiu reunir, com técnica invejável e sentimentos poderosos, um ritmo explosivo e sofisticadas estruturas harmônicas. Além da guitarra, assemelhava-se ao cigano na origem humilde e nômade e na completa incapacidade de ler a música disposta em partituras.

“Na terra do tango, foi o rei do jazz”, afirma o cartaz do documentário biográfico Vida con swing, dirigido por Hernán Gaffet e lançado em 2002. Nada mais justo, já que até morrer, com 71 anos, em 14 de outubro de 1980, Alemán permanecia o mesmo gênio musical que encantou Josephine Baker na década de 1930, como comprovam as gravações que deixou. Só não era reconhecido pelas novas gerações do showbusiness argentino.

Quarto dos sete filhos do uruguaio de ascendência espanhola Jorge Alemán Moreira e da índia toba Marcela Pereira, Oscar Alemán nasceu em Resistencia, na província do Chaco, a 20 de fevereiro de 1909. Como Django, tinha uma família musical: Jorge era guitarrista e Marcela, pianista. Aos 6 anos, o niño Oscar juntou-se ao Moreira Sextet, comandado pelo pai e formado pelos irmãos, que tocava músicas nativas e folclóricas. Na época, ainda não adotara qualquer instrumento, apenas dançava.

Em 1919, tentando ganhar a vida de forma regular, Jorge Alemán Moreira partiu para a cidade portuária de Santos, no Brasil, levando Oscar e seus dois irmãos mais velhos. Deixou para trás a esposa e os caçulas. Era o começo de uma seqüência de infortúnios para o garoto. No ano seguinte, sua mãe, Marcela Pereira, morreu, e seus irmãos mais novos foram colocados em um orfanato. Novo ano, nova tragédia: em 1920, o pai comete suicídio e os irmãos mais velhos o abandonam. Sozinho, aos 12 anos, sobreviveu de biscates – serviços de engraxate, entrega de jornais, entre outros.

Conquistando o Novo e o Velho Mundo

Salvou-lhe o cavaquinho, instrumento que aprendera a tocar, de ouvido, nos anos anteriores. Em 1924, foi descoberto pelo violonista Gaston Bueno Lobo, que o convidou a formar um duo, Los Lobos. Passaram os anos seguintes excursionando, primeiro pelo Brasil (Bahia e Pernambuco), depois pela Argentina (Buenos Aires) e finalmente, em fevereiro de 1929, pela Europa. No repertório, tangos, foxtrots, boleros e valsas. A turnê é extensa: Espanha, Portugal, Bélgica, Suíça, Alemanha e países do Leste europeu. Por motivos que os biógrafos ainda divergem, a dupla se desfez e Bueno Lobo voltou ao Brasil.

Recrutado pelo trumpetista belga Robert de Kers para uma orquestra de jazz, Alemán finalmente viu-se diante de sua grande chance. Em 1931, foi chamado pela diva Josephine Baker para compor a trupe conhecida como Baker boys. A partir daí, sua fama foi consideravelmente ampliada. Dois anos depois, foi chamado para integrar a orquestra de Duke Ellington, o que Josephine proibiu e Alemán acatou sem discutir. Recusou também oferta do astro do tango Enrique Santos Discépolo. Até 1938, comandaria a orquestra, afastando-se devido a disputas sobre salários, principalmente.

Até a eclosão da Segunda Guerra Mundial, manteve-se bastante ativo, gravando regularmente com músicos de jazz renomado, mas a queda de Paris para os exércitos alemães trouxe-lhe graves conseqüências. Em junho de 1940, Alemán foi brutalmente espancado por soldados nazistas e teve seu instrumento, uma guitarra National Style 1, toda de metal, roubada – provavelmente para ser derretida e usada como matéria-prima de artefatos bélicos. Um pedestre fotografou o guitarristas, escoriado e ensangüentado, e o ajudou a obter a repatriação com o consulado argentino.

De volta à terra natal, Alemán forma um quinteto de swing jazz em moldes semelhantes ao Quinteto do Hot Club da França de Django Reinhardt. O florescimento da cena jazzística argentina colocou-lhe novamente na crista da onda. Afastando-se da sonoridade parisiense, adota em 1942 o formato de sexteto. Por cerca de uma década, apresentaria-se no clube noturno Gong, onde teve espectadores ilustres. Entre 31 de dezembro de 1945 e 22 de fevereiro de 1946, apresentou-se novamente no Brasil, nos cassinos do Guarujá, em São Paulo, e Atlântico, no Rio de Janeiro.

Casara-se em dezembro de 1939, com a cantora de vaudeville Maria Louisa Souverville, conhecida como Malou, mas o relacionamento não resistiu e em maio de 1946, conheceu a atriz de rádio Carmem Vallejos, por quem se apaixonou. Em agosto de 1948, tiveram uma filha, batizada India Morena Alemán, explícita homenagem à mãe, a toba Marcela Pereira. Até 14 de outubro de 1980, quando morreu, vítima de insuficiência renal, gravou centenas de temas com as mais variadas formações e uma inspiração que soava inesgotável.

‘Oscar foi amigo de Django e não quis competir com ele’

O documentarista Hernán Gaffet
ENTREVISTA
Hernán Gaffet, diretor de Oscar Alemán – Vida con swing

No Brasil, praticamente só ouvimos falar de música argentina quando se fala em tango, portanto... antes de Oscar Alemán, havia uma cena jazzística local ou ele foi um dos pioneiros da difusão do jazz na Argentina?

Poco después de ser editados en EEUU los primeros discos de jazz, hacia 1920 ya se escuchaban en Buenos Aires. Los músicos populares y el público argentinos oyeron jazz desde siempre. En la década del ‘30 había muchas bigbands de swing en Buenos Aires y compartían escenarios con orquestas de tango. Inclusive, muchos músicos de tango también tocaban en bandas de jazz. Ambos géneros crecieron y evolucionaron al mismo tiempo. A finales de los ‘20 Alemán grabó sus primeros discos en Argentina con Bueno Lobo, pero grabó tango, valses y canciones populares, no jazz. En los ‘30 mientras estaba en Europa, en Buenos Aires ya se había grabado bastante jazz y era un género con muchos adeptos. A su regreso en los ‘40, pronto fue la primera figura solista, pero no fue pionero.

Na apresentação do sítio do filme, o senhor afirma que Oscar Alemán é um fenômeno já esquecido pela sua mídia – daí a necessidade do documentário – e credita isso ao fato de que a música como a que ele fazia já não está mais na moda. O senhor foi capaz de identificar como se deu essa mudança no gosto popular e em que época começou a ocorrer? Alemán saiu de cena para dar lugar a que, musicalmente falando?

En los años ‘60, con el auge del rock (sobre todo Beatles y sus imitadores locales) el tango y el jazz dejaron de ser la música de baile para los jóvenes. Las grandes orquestas desaparecieron casi todas. La TV y la radio dieron difusión masiva al rock. Alemán trabajó poco como músico y debió sobrevivir dando clases de guitarra. En los ‘70 fue redecubierto y no dejó de trabajar hasta su muerte.

Existe em seu país, atualmente, alguma corrente de “seguidores” de OA na música, fazendo jazz como ele? E o swing jazz, tem algum espaço no panorama musical?

En la actualidad, hay buenos músicos de estilo swing y algunos cultores del estilo Hot Club de Francia. Son los que suenan más parecido a Alemán. Sin embargo, suenan más cerca de Django que de Alemán. Quizá porque el estilo de ejecución de Oscar es más difícil de imitar. El guitarrista estilo swing más destacado en Argentina es (según mi opinión) Ricardo Pellican (www.ricardopellican.com).

Como foi a recepção ao filme dentro de seu país, pela crítica e espectadores? E a repercussão na mídia argentina?

El film tuvo muy buena repercusión de público y estuvo 16 semanas en un cine. La prensa fue mayoritariamente muy buena.

Lidar com a realidade costuma trazer menos público que filmar histórias inventadas. Houve dificuldades para conseguir investimentos financeiros neste filme, tratando-se de um documentário sobre uma figura local cuja memória estava sendo negligenciada? Quanto custou a produção? Comercialmente falando, a película resultou um sucesso nas bilheterias? Qual o público estimado até agora?

Dos años después de la etapa de investigación que hice solo y sin dinero, se asociaron en el proyecto dos personas más poniendo el dinero para poder realizar el film. Es casi imposible encontrar financiamiento privado para un documental. Comercialmente hablando el film recuperó su costo pero no dió ganancias. Esperamos que se convierta en un buen negocio cuando podamos venderla al exterior. El film fue visto en Argentina por unos 6000 espectadores. Es una muy buena cifra para un documental hecho en video. A ello habría que sumarle la gente que la vió en los 10 festivales internacionales y los tres en Argentina.

Oscar Alemán iniciou a sua vida musical em São Paulo, aprendendo um instrumento típico do samba como o cavaquinho, e após passar dois anos se apresentando, ao lado de Gaston Bueno Lobo ou não, em diversos estados do Brasil, ainda voltou pelo menos duas vezes (1945 e 1960). O que ele dizia a respeito de sua ligação com a música brasileira? Quem eram seus músicos brasileiros favoritos?

Alemán atribuía su swing a un don natural, pero reconocía que la escuela de la música brasilera (sobretodo su rítmica) había influído mucho en él. De hecho, su primer composición fue un choro (“OA 1926” que grabó en los años ‘70). Además, su maestro de guitarra fue un brasilero, Bueno Lobo, a quien él consideraba su segundo padre. En sus comienzos en Brasil, lo impresionó mucho Pixinguinha.

Planeja fazer alguma exibição do filme aqui?

Desgraciadamente, aún no está prevista ninguna proyección en Brasil, pero no la descarto si surge alguna posibilidad. Amo su país, conozco Río, Ouro Preto, Angra, Paratí, Bahía, Recife, Olinda. Me haría muy feliz poder mostrar el film allá.

Como analisa a relação entre Oscar e Django Reinhardt? Acredita que ele seja um dos motivos para que OA não tenha se tornado um sucesso maior na Europa? Houve algum episódio de racismo contra Alemán, devido à sua aparência ou origem?

Oscar fue amigo de Django y no quiso competir con él. Se admiraban mutuamente. Oscar grabó no más de diez temas como líder de banda en Europa y en los ‘30 Django ya había grabado muchísimo. Su fama, tenía que ver no sólo con su calidad como intérprete sino también con una enorme difusión discográfica a la que Oscar no tuvo acceso. Django además, “jugaba de local”. Oscar estuvo muy ocupado como músico de Josephine Baker. A finales de su relación, Oscar llegó a ser director de la orquesta de Baker, siendo el único que no sabía leer una partitura. Cuando Hitler entro en Paris (1940) un grupo de soldados nazis golpearon a Oscar en la calle (también le mataron al perro y le quitaron su guitarra metálica) y mientras le recordaban su color de piel, le dieron 24 horas para abandonar Francia. Poco antes había viajado a New York, pero contó que por un episodio de discriminación y porque le negaron el carnet de músico para actuar en locales, regresó a Francia a los 4 días. En Argentina, no tuvo problemas. Incluso era cariñosamente llamado “el Negro”.