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sábado, 15 de agosto de 2009

Lester William 'Les Paul' Polsfuss (9/6/1915 - 13/8/2009)

Les Paul no camarim do Iridium Jazz Club (4/out/2004). Crédito: Richard Drew/Associated Press)

Menos um gênio na face da Terra. Restam poucos, infelizmente.

Aos 94 anos, o pai da guitarra elétrica de corpo sólido e da gravação multicanais –invenções que revolucionaram a música moderna – e avô do rock n’ roll foi convocado a tocar na Grande Jam Celestial.

O convite, o único que em vida não se pode recusar, chegou até ele num local apropriadamente batizado de Planícies Brancas, no estado de Nova York (EUA). Estava acompanhado por parentes e amigos.

Mark Kemp, da Rolling Stone, perguntou, após uma de suas últimas apresentações, se continuaria fazendo shows até chegar aos 100 anos. “Enquanto as pessoas me aturarem e eu estiver me divertindo, por que não?”

Infelizmente, o Divino Diretor Musical achou que já era hora de Paul compartilhar sua experiência com os talentos mais jovens que chegaram ao Palco Sagrado nas últimas décadas, além de rever amigos antigos. O blog Speakeasy, do Wall Street Journal, registrou a passagem do músico com o seguinte comentário:

Les Paul, o grande guitarrista que morreu hoje, aos 94, foi entrevistado dois anos atrás por John Jurgensen, do Wall Street Journal. "Gosto de tocar em um lugarzinho onde ninguém me incomoda", disse. Ele então contou sobre tocar apesar da artite (ele "aposentou-se" em 1965), e seus amigos Django Reinhardt e B.B. King.

Foi inspirando-se em Django que, na década de 1930, migrou do country (com o qual retomou contanto, mais tarde) para o jazz, com o Les Paul Trio.

Vale a pena ler o artigo da Gibson Guitars informando da morte do artista.

domingo, 9 de agosto de 2009

A guitarra encantada de Django

JORNAL O GLOBO
Segunda-feira, 18 de abril de 1988

DISCOS/Crítica
SWING IT LIGHTLY

A guitarra encantada de Django
JOSÉ DOMINGOS RAFFAELLI

O célebre Django Reinhardt (1910-19583) foi um dos guitarristas originais da história do jazz, criando um estilo inteiramente pessoal que influencia até mesmo músicos americanos. O álbum duplo "Django - Swing it lightly" documenta o início e o final da carreira do legendário guitarrista cigano.

Embora não haja qualquer informação a respeito, seja dos músicos participantes ou das datas de gravação, adiantamos que o primeiro disco apresenta registros do famoso Quinteto do Hot Club da França, integrado por Django, seu fiel companheiro Stephane Grapelli (violino), além de Joseph Reinhardt e Roegr Chaput (guitarras) e Louis Vola (baixo). Essa formação de instrumentação revolucionária marcou sua passagem pelo jazz como uma das mais produtivas associações de todos os tempos. A histórica primeira sessão do QHCF, realizada em dezembro de 1934, é representada por "Dinah", "Tiger rag", "Lady be good" e "I saw stars"; em março de 1935 foi a vez de "Confessin'", "The Continental", e "Sweet Sue", e no mês seguinte, perpetuaram "Blue drag", "Swanee river" e "The sunshine of your smile".

O segundo disco, gravado em 10 de março de 1953, dois meses antes da morte do guitarrista, foi editado no Brasil há quase duas décadas. Com Django, atuam Maurice Vander (piano), Pierre Michelot (contrabaixo) e Jean-Louis Viale (bateria), músicos de concepção mais moderna. No repe´tório, duas obra-primas do guitarrista: "Nuages", sua composição mais conhecida, e "Manoir de mes rêves". Também ouvimos standards do quilate de "Night and day", "Confession'" e "September song", a canção francesa "Insensiblement", a brasileira "Aquarela do Brasil", além dos originais "Blues for Ike", "Gipsy with a song" e "Testament", do próprio Django.

Se, no primeiro disco, Django e Grapelli dava, mostras de um entendimento magnífico, no segundo ouvimos o músico maduro que domina inteiramente a sua arte, criando momentos de pura magia.


* Django - Swing it lightly (CBS), com o guitarrista Django Reinhardt. Qualidade da gravação: regular no disco 1 e boa no disco 2. Qualidade da prensagem: boa.

O maestro e o tocador

Andres Segóvia, em The song of the guitar, Allegro Films

por Marcio Beck

Há uma lenda famosa e perene na Djangologia segundo a qual, no auge da fama, DR conheceu o renomado concertista espanhol Andres Segóvia, em festa promovida por uma condessa rica. Aproveitando o momento potencialmente histórico, trouxeram uma guitarra e Django mostrou algumas músicas. Segóvia interessou-se em aprendê-las, perguntando como poderia obter as partituras.

"Não vai ser possível", respondeu o cigano, "acabei de inventá-las."

Apócrifa ou não, a história destaca o gênio musical de Django, com base na pura criação espontânea, "orgânica", diriam alguns mais chegados às filosofices, opondo-a ao enorme conhecimento musical formal de Segovia. Pode ser lido como forma de se valorizar o gênio em estado bruto diante da técnica fria, elitista. A intenção, se tal, foi boa; só que delas, dizem que o Reino das Profundezas está abarrotado.

Não faltam também relatos de como Django afinava o instrumento rapidamente e jamais errava o tom ao entrar em um acompanhamento, elementos que levam a crer que fosse possuidor do famoso "ouvido absoluto", capacidade inata de distinguir com perfeição os intervalos sonoros (tons). Tais elementos ilustram a dicotomia improvisação musical/composição acadëmica e no caso específico, acabam por compor uma espécie de "mito do bom selvagem musical", segundo as bases lançadas por Charles Delaunay em seu livro de 1956, que merecem capítulo à parte.

No encontro, se de fato aconteceu, a admiração deve ter sido mútua. Ao traduzir as obras de JS Bach, Mendelsohn e Schubert para a guitarra espanhola Ramirez que empunhava, Segóvia provara que o instrumento - conhecido no Brasil como "violão" - era digno das peças dos compositores clássicos. Django traduzira os clássicos do jazz americano, como Louis Armstrong, Duke Ellington e Gershwin, para sua guitarra Selmer e transformara o instrumento, definitivamente, em voz ativa dentro do estilo.

Ambos foram desbravadores, de técnica perfeita. Antes de mais nada, porque tratavam o instrumento com dedicação. Os ciganos e sua musicalidade também não eram estranhos à Andaluzia onde Segóvia nascera e passara boa parte da infância. Muito pelo contrário, seus ritmos e instrumentos impregnavam a cultura musical local e o cercaram durante a infância e adolescência.

No documentário gravado em 1967 por Chirstopher Nupen em Los Olivos, mansão de Segovia em Granada, o violonista implica com os "tocadores de flamenco". Diz, sem a menor ponta de falsa modéstia que precisou "resgatar" a guitarra duas vezes: das "mãos ruidosas" dos guitarristas do estilo popular na região e da falta de repertório específico de composições para guitarra. Para esta missão, conta, recrutou a ajuda de compositores como Manuel de Falla, Federico Moreno Torroba e Francesco Turini.

Se escutasse algo parecido com a Improvisação n.1 de Django, no entanto, provavelmente se lembraria mais das composições que recebera dos amigos compositores italianos e espanhóis quando começava a carreira. É uma peça cuja execução requer técnica bastante apurada, como pode ser observado na reprodução fiel feita por Stochelo Rosenberg no North Sea Jazz Festival de 1994.

Indiscutivelmente real e bem documentado (em DVD e livro), o encontro do parceiro de Django, o violinista Stephane Grapelli, com o concertista israelense Yehudi Menuhin , na década de 1970. A "boa ideia de Michael Parkinson", como batizou Paul Balmer, biógrafo de Grappelli, ocorreu ao apresentador de TV britânico em 1971.

Ao assumir um programa de entrevistas, o jornalista já era interessado em chamar Grapelli, radicado na Inglaterra desde a Segunda Guerra, quando preferira ficar em Londres em vez de retornar à Paris com Django e o resto do Quinteto, provocando o rompimento do grupo.

Na preparação de um programa sobre Menuhim, Parkinson notou um disco de Grapelli em cima da mesa do maestro, que perguntou lhe o jornalista conhecia Grappelli. "Dizem que ele é muito bom", disse Menuhim, que ainda não escutara.

Diante da sugestão de um encontro, o prodígio da música clássica, que aos 7 anos já havia tocado com a Filarmônica de San Francisco, tremeu e disse que não seria capaz de fazer frente a alguém como Grappelli: "Não posso tocar sem partituras, não consigo improvisar!".

Grapelli, por sua vez, ao receber o convite de Parkinson, tremeu e disse que não seria capaz de fazer frente a alguém como Menuhin: "Não posso, ele é um maestro! Eu sou só um tocador de rabeca!"

Encontraram-se no estúdio da BBC e começaram a discutir que tema poderiam tocar. Desta forma, Menuhin teria tempo de preparar e anotar algumas direções para seus solos; não seria uma improvisação jazzística pura, mas já representava um diálogo entre as duas formas. Grappelli, apesar de se orgulhar de seu autodidatismo, chegou a ter instrução musical formal quando criança.

No documentário A life in the jazz century, Grappelli diverte-se lembrando como, ao pedir uma sugestão de tema de jazz a Menuhin, este tenha dito Jealousy, um tango, "na verdade, o oposto de uma tema de jazz", ri. "Depois de quatro compassos, eu não sabia para onde estava. Me diga agora quem é o maestro", confessou o israelense.

O encontro rendeu alguns discos em parceria pelos dois, dos quais os de maior destaque provavelmente são Menuhin e Grappelli play Berlin, Kern, Porter & Rodgers & Hart; Strictly for the birds e Tea for two. Parte da performance pode ser vista no Youtube, com trechos de entrevistas de Menuhin e Parkinson:

Chester 'Chet' Burton Atkins (20/06/1924 - 30/6/01)

Estátua de bronze no foyer de entrada do Bank of America, na 4ª Avenida Norte, 315, Nashville, Tennessee. Crédito: http://www.lordscapes.com/misterguitar.html

Sábado, 30 de junho de 2001 – 18h49min
Guitarrista Chet Atkins morre aos 77*

por Jim Patterson

NASHVILLE, Tenn. (Associated Press) – Chet Atkins, cujo estilo de guitarra influenciou uma geração de músicos de rock, mesmo enquanto ajudou a desenvolver um estilo country easygoing para competir com este, morreu no sábado. Ele tinha 77.

Atkins morreu em casa, disse um diretor do funeral.

Atkins tinha batalhado contra o câncer por vários anos. Ele se submeteu a uma cirurgia para eliminar um tumor no cérebro em junho de 1997, e teve uma luta contra o câncer de cólon nos anos 70.

Atkins gravou mais de 75 álbuns instrumentais de guitarra e vendeu mais de 75 milhões de álbuns. Ele tocou em vários discos de sucesso, incluindo aqueles de Elvis Presley (“Heartberak Hotel”), Hank Williams Sr. (“Your cheatin’ heart”, “Jambalaya”) e The Everly Brothers (“Wake up, little Susie”).

Como executivo da RCA por quase duas décadas, começando em 1957, Atkins teve participação nas carreiras de Roy Orbison, Jim Reeves, Charley Pride, Dolly Parton, Jerry Reed, Waylon Jennings, Eddy Arnold e muitos outros.

“É impossível sintetizar sua vida – devido ao profundo impacto que ele teve como um maravilhoso ser humano e incrível membro de nossa indústria”, disse Joe Galante, presidente da RCA Label Group em Nashville. “Sua qualidade artística e sua influência como um líder da indústria tiveram impacto em muitos. Não há maneira de substitui-lo nem o que ele significou para a música e nossa comunidade de Nashville”.

Atkins ajudou a criar o som de Nashville, usando seções de cordas e um monte de eco para fazer gravações que apelavam para ouvintes mais velhos não interessados em música rock. Entre suas notáveis produções estão “The end of the world”, por Skeeter Davis, e “He’ll have to go”, por Reeves.

“Percebi que o que eu gostava, o público gostaria, também”, disse Atkins em uma entrevista de 1996 com a Associated Press, “porque sou um pouco quadrado”.

Chester Burton Atkins nasceu em 20 de junho de 1924, em uma fazenda próximo a Lutrell, Tennessee, cerca de 35 quilômetros a nordeste de Knoxville. Seu irmão mais velho Jim Atkins também tocava guitarra e seguiu para se apresentar com Les Paul. O primeiro emprego profissional de Chet Atkins foi como violinista na WNOX, em Knoxville, onde seu patrão era o cantor Bill Carlisle.

“Ele era terrível”, disse Carlisle em um concerto-tributo a Atkins em 1997. “Mas eu o ouvi durante um intervalo tocando guitarra e decidi apresentá-lo naquilo”.

O incomum estilo de dedilhado de Atkins, uma variação pseudo-clássica influenciada por talentos tão diversos quanto Merle Travis e Django Reinhardt, conseguiu contratá-lo e despedi-lo de empregos em estações de rádio por todo o país. Atkins às vezes brincava que no começo, seu estilo soava “como dois guitarristas tocando mal”.

Durante os anos 40, ele saiu em turnê com vários números, incluindo Red Foley, The Carter Family e Kitty Wells. O executivo da RCA Steve Sholes tomou Atkins como protegido nos anos 50, usando-o como guitarrista da casa em sessões de gravação.

A RCA começou a editar álbuns instrumentais de Atkins em 1953. George Harrison, cujos trabalhos na guitarra nos primeiros álbuns dos Beatles é fortemente influenciado por Atkins, escreveu as notas para “Chet Atkins picks on the Beatles”.

Sholes colocou Atkins a cargo da RCA Nashville quando ele foi promovido em 1957. Lá, ele ajudou Nashville a sobreviver ao desafio do rock n’ roll com o Som de Nashville. O som intrincado foi criticado pelos puristas que preferem sua música country crua e sem adornos.

Akins não se arrependeu, dizendo na época que seu objetivo era simplesmente “manter meu emprego”.

“A maneira para isso é fazer um álbum de sucesso de vez em quando”, disse ele, em 1993. “E a maneira para isso é dar à audiência algo diferente”.

Atkins abandonou o emprego como executivo nos anos 70 e se concentrou em tocar sua guitarra. Colaborou com uma vasta gama de artistas em álbuns solo, incluindo Mark Knopfler, Paul McCartney, Eric Johnson, George Benson, Susie Bogguss e Earl Klugh.

Na época que ficou doente, Atkins tinha acabado de lançar um CD, "The Day Finger Pickers took over the World (O dia em que os dedilhadores conquistaram o mundo)". Ele tinha também começado performances regulares na Segunda à noite em um clube de Nashville.

“Se eu sei que tenho que fazer um show, eu pratico bastante, porque você não pode ir lá e se embaraçar”, disse Atkins em 1996. “Então eu pensei, se eu tocar toda semana, eu não vou estar tão enferrujado e tocarei muito melhor”.

Ele deixa a esposa por mais de 50 anos, Leona Johnson Atkins, e a filha Merle Atkins.

O funeral será na terça-feira de manhã no Ryman Auditorium de Nashville, a antiga casa da Grand Ole Opry. O salão também será usado para serviços memoriais para a cantora country Tammy Wynnette e o fundador do bluegrass em anos recentes Bill Monroe.


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*OBS: a tradução apresentada é do autor do blog e a foto tem caráter ilustrativo somente, não correspondendo portanto, de maneira exata, ao material que tenha sido veiculado pelo serviço da agência notícias no Brasil.


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VERSÃO ORIGINAL


Saturday, June 30th, 2001– 6:49 PM–ET
Guitarist Chet Atkins Dies at 77
by Jim Patterson

NASHVILLE, Tenn. (AP) – Chet Atkins, whose guitar style influenced a generation of rock musicians even as he helped develop an easygoing country style to compete with it, died Saturday. He was 77.

Atkins died at home, a funeral director said.

Atkins had battled cancer several years. He underwent surgery to remove a brain tumor in June 1997, and had a bout with colon cancer in the 1970s.

Atkins recorded more than 75 albums of guitar instrumentals and sold more than 75 million albums. He played on hundreds of hit records, including those of Elvis Presley (“Heartbreak Hotel”), Hank Wlliams Sr. (“Your Cheatin' Heart, “'Jambalaya”) and The Everly Brothers (“Wake Up Little Susie”).

As an executive with RCA Records for nearly two decades beginning in 1957, Atkins played a part in the careers of Roy Orbison, Jim Reeves, Charley Pride, Dolly Parton, Jerry Reed, Waylon Jennings, Eddy Arnold and many others.

“It’s impossible to capsulize his life – due to the profound impact he's had as a wonderful human being and incredible member of our industry,'' said Joe Galante, chairman of the RCA Label Group in Nashville. “His artistry and his influence as an industry leader have impacted so many. There is no way to replace him nor what he has meant to music and our Nashville community”.

Atkins helped craft the lush Nashville Sound, using string sections and lots of echo to make records that appealed to older listeners not interested in rock music. Among his notable productions are “The End of the World” by Skeeter Davis and “He'll Have to Go” by Reeves.

“I realized that what I liked, the public would like, too”, Atkins said in a 1996 interview with The Associated Press. “cause I'm kind of square”

Chester Burton Atkins was born June 20, 1924, on a farm near Luttrell, Tenn., about 20 miles northeast of Knoxville. His elder brother Jim Atkins also played guitar, and went on to perform with Les Paul. Chet Atkins' first professional job was as a fiddler on WNOX in Knoxville, where his boss was singer Bill Carlisle.

“He was horrible”, Carlisle said at a tribute concert to Atkins in 1997. “But I heard him during a break playing guitar and decided to feature him on that”.

Atkins' unusual fingerpicking style, a pseudoclassical variation influenced by such diverse talents as Merle Travis and Django Reinhardt, got him hired and fired from jobs at radio stations all over the country. Atkins sometimes joked that early on his playing sounded “like two guitarists playing badly”.

During the 1940s he toured with many acts, including Red Foley, The Carter Family and Kitty Wells. RCA executive Steve Sholes took Atkinson as a protege in the 1950s, using him as the house guitarist on recording sessions.

RCA began issuing instrumental albums by Atkins in 1953. George Harrison, whose guitar work on early Beatles records is heavily influenced by Atkins, wrote the liner notes for “Chet Atkins Picks on the Beatles”

Sholes put Atkins in charge of RCA Nashville when he was promoted in 1957. There, he helped Nashville survive the challenge of rock n' roll with the Nashville Sound. The lavish sound has been criticized by purists who prefer their country music raw and unadorned.

Atkins was unrepentant, saying that at the time his goal was simply “to keep my job”.

“And the way you do that is you make a hit record once in a while”, he said in 1993. “And the way you do that is you give the audience something different”.

Atkins quit his job as an executive in the 1970s and concentrated on playing his guitar. He's collaborated with a wide range of artists on solo albums, including Mark Knopfler, Paul McCartney, Eric Johnson, George Benson, Susie Bogguss and Earl Klugh.

At the time he became ill, Atkins had just released a CD, “The Day Finger Pickers took over the World”. He also had begun regular Monday night performances at a Nashville club.

“If I know I've got to go do a show, I practice quite a bit, because you can't get out there and embarrass yourself”. Atkins said in 1996. “So I thought, if I play every week I won't be so rusty and I'll play a lot better”.

Survivors include his wife of more than 50 years, Leona Johnson Atkins, and a daughter, Merle Atkins.

The funeral is Tuesday morning at Nashville's Ryman Auditorium, the former home of the Grand Ole Opry. The hall was also used for memorial services for country singer Tammy Wynette and bluegrass founder Bill Monroe in recent years.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

O doce hino de um tempo amargo



por Marcio Beck

O clima melancólico e suave de Nuages a tornou, segundo os djangólogos, o "hino substituto" da França durante os anos da ocupação nazista. Quase inacreditável que tenha sido composta em um contexto de bombardeios, invasões e inclusive perseguições – ciganos também eram mandados para campos de concentração.

Segundo os biógrafos Michel Dregni e Alain Antonietto, foi mostrada ao público – ao vivo – pela primeira vez em 21 de setembro de 1941, no 2º Festival Swing, realizado pelo Hot Clube de France na Salle Pleyel (espécie de Carnegie Hall parisiense da época). O resultado foi estrondoso:

A multidão não o deixava começar a música seguinte, forçando-o a parar e tocar mais uma vez a nova melodia. E então, tocar de novo. Ao todo, ele executou Nuages três vezes em seguida, e o público ainda não estava satisfeito. Mais de 100 mil cópias dos [discos de] 78 [rotações] foram subseqüentemente vendidos.

Nos 13 anos seguintes, até sua morte, em maio de 1953, gravou 13 versões do tema, que se tornou um dos poucos standards de jazz compostos por não-europeus.

A gravação original data de 13 de dezembro de 1940. Nela, Django é acompanhado na melodia e nos solos pelo recém-descoberto substituto de Stephane Grapelli (que se instalara na Inglaterra após o início da Segunda Guerra), o clarinetista Hubert Rostaing. O irmão, Joseph, faz a guitarra rítmica e há ainda o saxofonista-prodígio Alix Combelle.

Em 1942, durante uma excursão à Bélgica, teve a oportunidade de tocar com uma big band, Stan Brenders et son Grand Orchestre, e se deliciou. No dia 8 de maio, entrou no estúdio para registrar uma versão mais adocicada, turbinada pela seção melódica com três trumpetes, dois trombones, três clarinetas, dois sax alto, três sax tenor, um sax barítono, quatro violinos e piano, além de baixo e bateria no ritmo.

Nesse ano, ganhou também versão com letra, pelas mãos da chansonnier Lucienne Delyle, esposa do trompetista Aimé Barelli, que tocava ocasionalmente com a nova formação do Quinteto. A gravação foi feita em 7 de julho, com orquestra regida pelo maestro Jacques Métehen.

A reunião com Grappelli em Londres, em 1946, não trouxe a dupla de volta full-time, mas rendeu duas novas versões de Nuages, registradas nos estúdios da Decca no dia 1º de fevereiro daquele ano. Os dois franceses são acompanhados por seção rítmica inglesa: Jack Llewellyn e Allan Hodgkiss (guitarras) e Coleridge Goode (contrabaixo).

Começava a época de experimentalismo com formações menores e diferentes do som do Quinteto – baseado na batida das guitarras rítmicas – do qual queria se distanciar artisticamente. Acompanhado pela clarineta de Maurice Meunier e o piano de Eddie Bernard, registrou mais uma ‘encarnação’ de Nuages em programa para a Radiodiffusion-Television Française (RTF), no dia 25 de agosto de 1947. Completando a formação, o primo Eugéne Vèes (guitarra), Emmanuel Soudieux (baixo) e Jacques Martinon (bateria).

No ano seguinte, novamente, há duas versões gravadas, ambas valiosíssimas. A primeira, no Festival de Nice, em 28 de fevereiro, também transmitido pela rádio RTF. Nela, toca novamente ao lado de Grappelli e dois guitarristas rítmicos: o irmão Joseph e o ‘primo’ cigano Challain Ferret, além do baixo de Soudieux. Na segunda, um concerto de data não-especificada em dezembro, no Theatre des Galeries, em Bruxelas, Django aparece ao lado do filho primogênito, o também guitarrista Henri Louson Baumgartner, além do fiel escudeiro Rostaing, o baixista Louis Vola e o baterista Arthur Motta.

Em Roma, em 1949, Django experimentou uma formação minimalista com os instrumentistas locais: Gianni Safred (piano), Marco Pecori (baixo) e Aurelio de Carolis (bateria). Nos estúdios da Radio Audizioni Itália (RAI), ao longo de janeiro e fevereiro, registraram duas novas versões de Nuages. Em 1950, voltou à RAI, mas com o clarinetista André Ekyan, o pianista Ralph Schecroun, o baixista Alfred Masselier e o baterista Roger Paraboschi. Em abril e maio, nova seqüência de gravações, e uma nova Nuages.

Em 1951, novamente, duas versões. A primeira, gravada no Club Saint Germain-des-Près, local da moda em Paris. Nesta, predominam novamente os metais, como o trompete de Bernard Hullin e o sax alto de Hubert Fol. O irmão de Hubert, Raymond, toca piano, o baixista Pierre Michelot e o baterista Pierre Lemarchand completam a formação. Consta ainda um take solo tirado para uma trilha sonora de filme, não-especificado.

A derradeira ‘nuvem’ passou diante dos olhos de Django dois meses antes de sua morte. A 10 de março de 1953, ainda empolgado com os resultados da formação piano-baixo-bateria, convocava Maurice Vander, Pierre Michelot e Jean-Louis Viale para gravar para o selo Blue Star como Django Reinhardt et ses Rhythmes.

Talvez seja a mais melancólica de todas as encarnações da melodia. Curiosamente, trata-se da versão de andamento mais lento e de maior comedimento no solo por parte de Django. Destaca-se ainda mais pelo acompanhamento sutil, muitas vezes praticamente inaudível, tornando-a quase um solo de inspiração no bebop.

O mestre do violão clássico Julian Bream foi um dos muitos artistas que deu sua versão ao tema, ao longo das últimas décadas, sozinho e ao lado de Stephane Grappelli.


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Palavra de prodígio

Gravando - Os bastidores da música

No fundo, sempre serei um músico.

A música faz parte da minha vida desde os meus 3 anos de idade, quando vi um cigano tocando violino num restaurante, em troca de algumas gorjetas. Algo nele me fascinou, e fiquei tão louco por aquilo, que meus pais correram a uma loja e compraram um violino de brinquedo. Eu me encantei com o violino e, aos 4 anos de idade, já estava tocando o instrumento de verdade e estudando música clássica com o maestro de uma orquestra sinfônica.

(...)

O jazz, mais do que qualquer outro gênero musical, tem sido um tema constante em minha vida e em meu trabalho.

Para um aluno de música clássica, jazz era o fruto proibido, mas eu era rebelde. O jazz se tornou meu nirvana musical: o supra-sumo da confluência de melodia, ritmo e expressão musical desenfreada. Embora meus professores formados em música clássica me desencorajassem, eu queria que meu violino vagasse pelo mundo do jazz, como fizeram Stephan
(sic) Grappelli e Django Reinhardt. Comecei a tocar em pequenos clubes na Rua 52, o que despertou a ira dos meus professores na Julliard, que não tinham escrúpulos em expressar o seu desprazer.

- Phil Ramone, produtor musical ganhador de 14 prêmios Grammy, em Gravando - Os bastidores da música (Guarda-chuva, 2008)

domingo, 13 de julho de 2008

O dia em que conheci Django

Stephane Grappelli, Eugène Vées, Django, Joseph Reinhardt e Roger Grasset

por Albert Offenbach*

Isso é o que aconteceu lá atrás, em 1938...

Fui para Deauville no feriado. Tinha dezoito anos. Naqueles dias, chás dançantes estavam na moda, então toda tarde eu ia para o chá dançante do Iate Clube, (que era dirigido por George Carpontiea, o ex-campeão francês de boxe), onde havia duas bandas. Uma era a banda dançante de Maurice Winnick; a outra, uma pequena banda cigana.

Na banda cigana, havia um guitarrista que tocava no estilo de Django. Eu não era muito bom de francês, mas consegui dizer-lhe que ele tocava como Django. Bem, ele ficou encantado de ouvir e disse que era o irmão de Django, Joseph. A medida que o via diariamente, ficamos bastante amigos e ele me disse que o Hot Club estaria tocando em Londres, no State Cinema Kilburn, dentro de alguns meses e se eu viesse aos bastidores vê-lo, ele me apresentaria a Django. Bem, isso não podia ser perdido, poderia? Então quando chegou a época, levei meu irmão mais novo (que tocava muito bem naquele tempo) e um amigo para ver o show.

Após o show, fomos para os bastidores ver se Joseph lembrava de mim. Ele lembrava e estava bastante contente em me ver, e me apresentou a Django, que era educado, mas não muito interessado no início. Então, vi a guitarra de Django deitada lá. Pensei que adoraria poder dizer que toquei a guitarra dele então perguntei se podia. Ele disse "claro!" Toquei alguns acordes no estilo do hot club e toda sua atitude mudou, ele se tornou muito amigável. Perguntei-lhe se gostaria de vir tomar um drinque num pub, ele aceitou e então disse ao resto do Hot Club que estávamos todos saindo para um drinque. Todos foram, exceto Stéphane Grappelly. No caminho para o pub, o amigo com o qual eu vinha disse "não vamos para o pub, vamos para casa para um drinque", e Django disse "OK".

Voltamos pra a casa de meu amigo, ele tinha um grande bar em casa, e tomamos alguns drinques. `Perguntei a Django se ele tocaria se eu trouxesse minhas guitarras. Ele disse sim, se eu tocasse com ele. Então, fui pegar minhas guitarras. Eu vivia muito perto da casa de meu amigo e tinha duas Gibsons. Uma comprara de Len Williams, o pai de John Williams por cinco libras, a outra era uma FDH Special.

Que emoção tocar para Django. Meu irmão mais novo era muito melhor guitarrista que eu e tinha pego o solo de
Limehouse Blues da gravação de Django, e quando ele ouviu meu irmão tocar ficou encantado. Era realmente muito modesto e nunca se deu conta de tinha um séquito tão grande.

Depois de tocar um pouco, paramos, e começamos a colocar alguns discos no gramofone. Um deles era de Chick Webb, tocando ‘Undecided’, cantado por Ella Fitzgerald. Ele adorou e disse que gravaria. Disse que precisava de uma cantora, portanto recomendamos a cantora da Romany Band, uma garota chamada Beryl Davis.

Após mais alguns drinques, nós os levamos de volta para o hotel e nos despedimos. Pensei que seria o fim daquilo, mas dias mais tarde, Django me ligou e nos convidou para a casa noturna em que o Hot CLub estava tocando, chamada The Nut House, dirigida por Al Burnett. Pode-se imaginar como eu estava empolgado. Tinha uns dezoito anos na época, e convidado pelo grande Django.

Fomos para o clube, mas Al Burnett não nos deixou entrar, duvidando que tívessemos sido convidados por Django. No entanto, como eu não ia embora, consegui convencê-lo a verificar. Demorou um pouco, mas enfim ele o fez, e Django saiu dos bastidores e disse que éramos seus convidados. Tinha uma mesa reservada para nós na frente. Assistimos o show, dançamos um pouco, e por volta das 4h30 fomos para Lyons Corner House tomar café da manhã. O Quinteto todo, exceto Grappelli. Acho que ele era um pouco soberbo demais para nós naqueles tempos.

Django pagou a conta para todos. Tentei ressarci-lo, mas ele nem queria escutar. Bem, este é o fim da história.

Pouco tempo depois, eu estava no exército e desembarquei na praia da Normandia com uniforme completo e a minha guitarra, mas isto é outra história.


* tradução Marcio Beck

TEXTO ORIGINAL
The day I met Django

This is what happened way back in 1938...

I went to Deauville on holiday. I was eighteen. In those days tea dances were in, so every afternoon I went to the Yacht Club tea dance, (It was run by George Carpontiea the French ex boxing champ), there was two bands, one was Maurice Winnick's dance band, and the other a small Gypsy band.

In the Gypsy band was a guitarist who played in the style of Django. I was not much good at French, but I managed to tell him he played like Django, well he was delighted to hear it and told me he was Django’s brother, Joseph. As I saw him every day we got quite friendly and he told me that the Hot Club was playing in London at the “State Cinema” Kilburn, in a few months time and if I came back stage to see him he would introduce me to Django. Well that could not be missed could it! So when the time came I took my young brother (who played very well in those days) and a friend to see the show.

After the show we went back stage to see if Joseph remembered me, well he did and was very pleased to see me, he introduced me to Django who was polite but not very interested at first, then I saw Django’s guitar laying there. I thought I would love to be able to say I have played Django’s guitar so I asked him if I could and he said sure. I banged out a few chords in the hot club style and his whole attitude changed and he became very friendly. I asked him if he would like to come for a drink in the pub and he said yes, then he said to the rest of the hot club in French of course that we were all going for a drink, they all came except Stéphane Grappelly. On the way to the pub, the friend I came with said, lets not go to the pub lets go home for a drink, and Django said OK.

We got back to my friends house, he had a great bar in his house, and we had a few drinks, I then said to Django If I got my guitars would he play , he said yes if I played with him, so off I went to get my guitars, I lived very near my friends house. I had two Gibsons, one I bought from Len Williams the father of John Williams for £5, the other was a FDH Special.

What a thrill to play for Django. My young brother was a much better player than I was and he had taken the solo of Limehouse Blues, off the Django record, and when he heard my brother play he was delighted. He was really very modest and never realised he had such a big following.

After a bit of playing, we stopped, then started to play some gramophone records, one was of Chick Web playing undecided sung by Ella Fitzgerald. He loved it and said he would record it. He said he needed a singer for it, so we recommended the singer from the Romany Band, a girl called Beryl Davis.

After A few more drinks, we took them all back to their Hotel said good night and I thought that would be the end of it, but a couple of days later Django rang me and invited us all to the Night Club that the Hot Club was playing at, called The Nut House, run by All Burnett. Well, you can imagine how excited I was. A kid of eighteen then, invited by the great Django.

We went to the Club but All Burnette would not let us in, as he did not believe we had been invited by Django however I would not go, I persuaded him to check and it took some doing, but at last he did, and Django came out and told him we were his guests. He had a table reserved for us right in the front, we watched the show danced a bit with a few of the birds that were there, then at about 4.30PM we all went to Lyons Corner House for breakfast the whole hot club but not Grappely. I think he was a bit too posh for us in those days.

Django paid the bill for everybody, I tried to pay him back but he would not hear of it. Well thats the end of the story.

A short while after that I was in the army and actually landed on the beach in Normandy in full kit, and my guitar, but that is another story.